A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta quarta-feira (1º) que Lisa Cook seguirá, por enquanto, no cargo de diretora do Federal Reserve (Fed), apesar da iniciativa do presidente Donald Trump de afastá-la imediatamente. A decisão provisória permite que ela participe das duas últimas reuniões do banco central em 2025, incluindo a de outubro, que definirá as taxas de juros.
Trump já havia tentado afastamento antes da reunião de setembro
O presidente buscou retirar Cook do conselho antes da reunião de setembro, mas um juiz considerou a demissão ilegal. Em seguida, um tribunal de apelações rejeitou, por maioria, um recurso emergencial da Casa Branca. Trump voltou a recorrer à Suprema Corte logo após a decisão do Fed de reduzir a taxa básica em 0,25 ponto percentual.
Caso abre precedente inédito na história do Fed
Nenhum presidente havia demitido um diretor em exercício nos 112 anos de existência do Fed. A Casa Branca, no entanto, sustenta que Trump agiu legalmente e espera reverter a decisão em janeiro. Especialistas afirmam que a Suprema Corte já sinalizou tratar o banco central de forma distinta de outras agências independentes, o que reforça a tradição de autonomia da instituição.
Acusações de fraude hipotecária e defesa de Cook
Trump acusou Cook de fraude por declarar duas residências principais em 2021, o que poderia ter garantido condições mais vantajosas em empréstimos. Cook negou irregularidades, e documentos obtidos pela imprensa indicam que ela descreveu uma das propriedades como casa de férias ou segunda residência, enfraquecendo as acusações. A juíza Jia Cobb considerou que a demissão violaria a regra que só permite afastamento “por justa causa” durante o mandato.
Próximos passos do julgamento
A Suprema Corte ouvirá em janeiro os argumentos do governo e da defesa para decidir em definitivo se Trump tem poder de demitir diretores do Fed sem restrições. Em paralelo, a Corte também avaliará em dezembro outro caso semelhante, envolvendo membros de conselhos de agências federais. Até lá, Lisa Cook seguirá no cargo, reforçando a imagem de independência do Fed diante da pressão política.






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