O Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia negou nesta segunda-feira (15) o pedido do presidente Donald Trump para afastar Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. A decisão representa um revés para a Casa Branca e marca um episódio inédito desde a criação da instituição, em 1913: nunca antes um presidente havia tentado remover um diretor do Fed.
Disputa sem precedentes
Com a decisão, Cook poderá participar normalmente da reunião de política monetária do Fed, marcada para esta terça (16) e quarta-feira (17). O encontro ocorre em meio à expectativa de que a instituição anuncie uma redução nos juros, diante de sinais de desaceleração no mercado de trabalho.
O Tribunal de Apelações também rejeitou o pedido do Departamento de Justiça para suspender temporariamente a ordem de um juiz que impedia Trump de remover Cook, indicada pelo ex-presidente Joe Biden. O governo, no entanto, já indicou que deve recorrer à Suprema Corte.
No centro da disputa está a interpretação da lei que criou o Fed. O Congresso determinou que diretores só podem ser demitidos por “justa causa” — conceito que não foi definido com clareza e jamais havia sido questionado judicialmente.
Acusações contra Lisa Cook
Em 9 de setembro, a juíza distrital Jia Cobb considerou que as alegações apresentadas por Trump contra Cook — de que ela teria cometido fraude hipotecária antes de assumir o cargo, acusação que ela nega — não configuram justificativa suficiente para uma demissão.
Lisa Cook, primeira mulher negra a ocupar uma posição na diretoria do Fed, processou Trump e o banco central no final de agosto. Ela argumentou que as acusações são apenas um pretexto para afastá-la por motivos políticos, ligados à sua postura sobre política monetária.
A administração Trump, por sua vez, sustenta que o presidente possui ampla liberdade para remover diretores e que os tribunais não teriam autoridade para revisar essa decisão.
Independência em risco
O caso levanta preocupações sobre a independência do banco central dos EUA. A autonomia para definir juros sem pressões políticas é considerada essencial para que instituições do tipo consigam cumprir suas funções, como controlar a inflação e estabilizar a economia.
Ao longo de 2025, Trump intensificou críticas ao Fed e exigiu cortes agressivos na taxa de juros, em contraste com a estratégia da instituição, que manteve uma postura cautelosa para conter a inflação. O presidente também direcionou ataques ao atual chefe do banco, Jerome Powell, cuja condução da política monetária tem sido alvo de embates frequentes com a Casa Branca.
Com a disputa judicial ainda em aberto e a possibilidade de chegar à Suprema Corte, o embate promete ter desdobramentos decisivos para o equilíbrio entre poder político e autonomia técnica do Fed.






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