Deputados criticam demora da Justiça e saem em defesa de Rodrigo Bacellar

Jair Bittencourt e Chico Machado questionaram processos envolvendo disputas políticas e rejeitaram associação generalizada da Alerj com crimes

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Não foram apenas apertos de mão, abraços e cumprimentos pelo resultado das urnas que marcaram a primeira sessão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) depois do primeiro turno das eleições. Passado o clima inicial de confraternização, o plenário também foi palco de críticas à demora da Justiça em processos envolvendo disputas políticas, de questionamentos à associação generalizada de deputados com criminosos e de manifestações em defesa do ex-presidente da Casa Rodrigo Bacellar.

Os discursos partiram de Jair Bittencourt e Chico Machado, ambos do PL. Os parlamentares fizeram avaliações sobre o resultado eleitoral, criticaram decisões e procedimentos judiciais e sustentaram que eventuais suspeitas de crimes devem ser apuradas individualmente, sem atingir a imagem de toda a Assembleia.

Bittencourt também tratou Douglas Ruas (PL) como governador eleito. Oficialmente, no entanto, a Justiça Eleitoral ainda mantém Ruas e Eduardo Paes (PSD) na disputa para o segundo turno. A situação pode mudar a depender do desfecho do processo sobre os votos de Anthony Garotinho (Republicanos).

Nesta terça-feira (6), o Ministério Público Eleitoral se manifestou favoravelmente ao pedido de Garotinho para desistir do recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decisão que pode alterar o cálculo dos votos válidos.

Bittencourt critica demora nas decisões

Para Jair Bittencourt, a principal falha da Justiça durante o processo eleitoral teria sido a demora na análise de ações. O parlamentar argumentou que decisões tomadas antes da votação poderiam ter evitado a atual indefinição sobre o resultado para o governo estadual. “A Justiça, a meu ver, falhou muito nessas eleições. Não falhou pelas suas decisões, exatamente pelo contrário. Falhou por não decidir”, afirmou.

O deputado também criticou a associação da Alerj, de maneira generalizada, a casos envolvendo criminalidade. Segundo ele, parlamentares suspeitos de crimes devem ser investigados e responsabilizados individualmente.

“A Assembleia não pode ser tachada como foi nessa campanha no seu todo como um bando, como uma corja de bandidos no Estado do Rio. Se tem deputado que cometeu crime, que se apure, se julgue, se prenda, se tire da Assembleia”, declarou.

Bittencourt argumentou que a generalização prejudica a imagem da instituição e afirmou que existem parlamentares de diferentes posições ideológicas que não podem ser responsabilizados por condutas atribuídas a outros integrantes da Casa.

Defesa de Rodrigo Bacellar

A parte mais extensa dos pronunciamentos foi dedicada a Rodrigo Bacellar. Bittencourt disse não ter conhecimento de elementos que comprovem ligação do ex-presidente da Alerj com o tráfico de drogas ou organizações criminosas. “Eu nunca vi nada que desabonasse o deputado Rodrigo Bacellar no que diz respeito a crime organizado ou tráfico de drogas”, afirmou.

Bacellar foi preso em dezembro de 2025 sob suspeita de ter vazado informações sigilosas sobre uma operação da Polícia Federal que tinha como alvo TH Joias. Segundo as investigações, foram encontrados indícios de que Bacellar teria informado antecipadamente o então deputado sobre a ação. TH Joias tornou-se réu em setembro deste ano por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho.

Chico Machado foi outro que saiu em defesa do ex-presidente da Assembleia. O parlamentar ressaltou a amizade com Bacellar e disse não ter visto elementos que, em sua avaliação, justifiquem associá-lo a uma facção criminosa. “Eu até hoje não vi nada escrito ou digitado pelo ex-presidente Bacellar que o comprometesse a ponto de estar hoje preso num presídio federal em Mossoró”, afirmou.

Machado acrescentou que não se opõe à investigação e eventual punição de agentes públicos, mas defendeu que sejam observados os procedimentos legais. “Qualquer um pode ser julgado, condenado e preso, mas sem a tramitação legal, sem respeitar o trâmite legal na Justiça, nós não podemos mais aceitar isso”, declarou.

Críticas à Justiça e reflexos das urnas

Chico Machado ampliou as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), classificando como arbitrária a condução do caso envolvendo Bacellar. As declarações representam a avaliação política do deputado sobre decisões judiciais, e não uma conclusão sobre a legalidade dos procedimentos.

O parlamentar também relacionou o resultado das urnas à insatisfação de parte dos eleitores com acontecimentos políticos e judiciais dos últimos meses. Em Macaé, sua principal base eleitoral, Machado destacou os resultados obtidos por Douglas Ruas e Flávio Bolsonaro e agradeceu pelos 50.664 votos que, segundo ele, garantiram seu terceiro mandato.

Bittencourt, por sua vez, também mencionou o ex-governador Cláudio Castro. Segundo o deputado, políticos que se beneficiaram de obras realizadas durante a gestão estadual deixaram de reconhecer publicamente a participação do então governador durante a campanha eleitoral.

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