A crise aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno das investigações do caso Master pode sair dos tribunais e entrar de vez na campanha eleitoral, na avaliação do deputado Luiz Paulo (PSD). Durante sessão da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) nesta quarta-feira (16), o parlamentar afirmou acreditar que a repercussão dos acontecimentos no Supremo pode afetar as eleições de outubro e desviar a discussão de outros problemas enfrentados pela população.
Luiz Paulo fez referência à sessão extraordinária realizada pelo STF na terça-feira (15), encerrada sem uma definição sobre a tramitação de petições relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no contexto do caso Master. O julgamento foi suspenso após pedido de vista de Flávio Dino.
O deputado também voltou às operações do Rioprevidência com o Banco Master, lembrou denúncias que afirma ter apresentado anteriormente e criticou a reação do então governo estadual e de sua base parlamentar na Alerj.
Crise do STF e impacto nas eleições
Para Luiz Paulo, as divergências expostas no Supremo têm potencial para interferir na discussão eleitoral. Ele disse ter ouvido eleitores demonstrarem perplexidade com o episódio durante caminhada pelas ruas do Rio antes de seguir para a Assembleia.
“Isso afeta diretamente, querendo ou não, as campanhas eleitorais. Primeiro, a campanha majoritária de presidente da República, porque desfoca dos temas mais reais e concretos que precisam ser debatidos para a escolha do presidente do nosso país; e desfoca as campanhas estaduais”, afirmou.
O deputado também citou a manifestação da ministra Cármen Lúcia durante o julgamento e avaliou que a magistrada traduziu a insatisfação provocada pela crise.
Ao final do pronunciamento, voltou a relacionar diretamente o episódio à campanha. “Agora esse tema vai perpassar as eleições de 4 de outubro, não tenho dúvida nenhuma, e para quem for ao segundo turno também”, declarou.
O possível efeito da crise sobre as eleições é uma avaliação política de Luiz Paulo. Na própria sessão do STF, porém, a proximidade do pleito apareceu formalmente: Nunes Marques declarou-se impedido e mencionou que a decisão poderia produzir impactos no cenário político-eleitoral a 19 dias do primeiro turno, além de citar sua condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
Deputado relembra denúncias sobre o Master
Luiz Paulo também voltou a abordar as aplicações realizadas pelo Rioprevidência em produtos relacionados ao Banco Master. Em seu discurso, afirmou ter denunciado as operações anteriormente no plenário, em audiência pública e aos órgãos de controle.
“Não foi só discursando aqui em plenário, também o fiz em audiência pública e posteriormente em denúncia formal ao Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público Estadual”, afirmou.
O parlamentar citou aplicações de R$ 970 milhões em letras financeiras e R$ 283 milhões em CDBs e criticou a ausência de providências do então governo estadual diante das denúncias que apresentava.
“Quando fiz as denúncias, e muitas vezes aqui em plenário, volto a repetir, parecia que eu estava denunciando em Marte ou Vênus, porque o governador jamais agia como aqui no plenário também, como se não tivesse uma base de governo”, disse.
Ao mencionar Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e personagem central das investigações que desencadearam a atual crise no Supremo, Luiz Paulo afirmou que o empresário conseguiu estabelecer relações em diferentes setores políticos e institucionais.
As investigações sobre o caso Master seguem em andamento, e o STF ressaltou que a sessão de terça-feira não examinou responsabilidade penal nem o mérito dos elementos reunidos.
Tentativa de silenciamento
O líder do PSD ainda retomou um episódio em que Vorcaro tentou “silenciá-lo” diante das críticas que fazia ao Banco Master. O deputado se referiu a conversas atribuídas a Vorcaro com um assessor e reveladas no âmbito das investigações da Polícia Federal. Segundo Luiz Paulo, o banqueiro demonstrou preocupação com a repercussão de suas publicações e buscou saber quem poderia procurá-lo politicamente.
“Ele tentou me calar, tirar minhas postagens do ar”, afirmou. De acordo com o relato do deputado, Vorcaro teria usado diferentes termos depreciativos para se referir a ele enquanto questionava quem estava fazendo publicações contrárias ao banco. O assessor teria respondido que buscaria alguém na política capaz de estabelecer contato com Luiz Paulo.
Em uma conversa posterior, ainda segundo o parlamentar, teria sido informado a Vorcaro que a tentativa de aproximação não avançou porque Luiz Paulo era considerado um “xiita”. O deputado afirmou ter recebido a referência com satisfação por entender que ela demonstrava sua resistência às tentativas de aproximação.
“Pela primeira vez na minha vida, uma pretensa ofensa me deu muita alegria, porque o duro é se ele tivesse me chamado de irmãozinho ou outros adjetivos qualificativos usados em outras conversas”, declarou.
Luiz Paulo encerrou sua fala afirmando que pretende continuar tratando do assunto. “Apesar de eu ser da faixa dos 65 mais — e põe mais nisso — mantenho-me firme e a luta continua”, concluiu.







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