Depois de silêncio de três dias, Tarcísio apoia Flávio, mas diz ser cedo para validar escolha

Governador afirma apoiar senador, mas avalia ser cedo para confirmar se escolha de Jair Bolsonaro é a mais acertada para 2026.

Após três dias sem se manifestar, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira (8) que apoiará a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas ponderou que “ainda é cedo” para avaliar se a decisão de Jair Bolsonaro foi a mais acertada. Ele comentou que o desempenho do senador nas pesquisas, atualmente inferior ao de outros nomes da direita, inclusive o dele próprio, ainda precisa ser analisado.

Primeira fala pública após anúncio
A declaração ocorreu durante o anúncio de repasse de verbas para a saúde de Diadema, no ABC paulista. A escolha de Jair Bolsonaro por Flávio veio à tona na sexta-feira. Tarcísio reiterou sua lealdade ao ex-presidente e afirmou que o senador terá seu apoio, destacando que ele se soma a “outros grandes nomes da oposição”, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior.

Múltiplas candidaturas e crise fiscal no horizonte
Tarcísio defendeu que o mais importante para o país é a construção de um “projeto estrutural”, independentemente do candidato. Para ele, a existência de mais de uma candidatura de direita é positiva e deve elevar o nível do debate. O governador também alertou para uma “inevitável crise fiscal” em 2027 e atribuiu o atual “desarranjo institucional” a uma crise de liderança.

Resistência interna à candidatura de Flávio
Nos bastidores, a escolha de Flávio não é vista como consenso. Antes do anúncio, Tarcísio era o nome preferido de dirigentes do Centrão e articulava apoios. Avaliações internas apontam que Flávio teria menos chances contra Lula (PT) e maior dificuldade para atrair o centro, além de carregar desgastes do sobrenome Bolsonaro e acusações envolvendo o caso das “rachadinhas”.

Pressão política e reações públicas
Ainda que a maioria dos líderes evite atritos com o bolsonarismo, alguns manifestaram insatisfação. Ciro Nogueira (PP), por exemplo, defendeu que a decisão não deveria partir apenas do PL e exaltou a “maior viabilidade” de Tarcísio e Ratinho Júnior. Já Valdemar Costa Neto, presidente do PL, endossou oficialmente Flávio como candidato.

Declarações controversas de Flávio
O senador aumentou as especulações ao afirmar, no fim de semana, que desistiria da disputa por um “preço”: a liberdade de Jair Bolsonaro, condenado por liderar tentativa de golpe. Em seguida, mudou o tom e disse que sua candidatura é “irreversível”, descartando substituição por Tarcísio e defendendo seu próprio nome por carregar “o sobrenome Bolsonaro”.

Silêncio estratégico e bastidores movimentados
Tarcísio permaneceu dias sem comentar o tema e evitou a imprensa em eventos públicos, como a posse de Carlos Cezar no Tribunal de Contas do Estado (TCE), onde sua equipe montou barreiras para impedir abordagens. A nomeação reforça a influência do governador no TCE, que agora tem quatro dos sete conselheiros indicados durante sua gestão.

Agenda política paralela
Enquanto Flávio se prepara para receber dirigentes de PL, PP, União Brasil e Republicanos em Brasília, Tarcísio participa de um jantar com o corpo consular no Palácio dos Bandeirantes, mantendo a postura discreta diante do cenário eleitoral.

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