Delator confirma sete pagamentos de US$ 12,3 milhões para fundo ligado a Eduardo Bolsonaro

Antonio Carlos Freixo Júnior afirmou à PGR que realizou as transferências a pedido de Daniel Vorcaro; valores teriam financiado o filme “Dark Horse”

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O operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, afirmou em seu acordo de colaboração premiada que realizou sete transferências bancárias para o fundo Havengate ao longo de 2025. Os pagamentos somaram US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões na cotação da época, conforme informações apuradas pela repórter Malu Gaspar e publicadas nesta terça-feira em O Globo..

Segundo o delator, os repasses foram feitos a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro. O fundo, sediado nos Estados Unidos, é administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, que é próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Os recursos, conforme as informações apresentadas à Procuradoria-Geral da República (PGR), teriam como destino a produção do filme “Dark Horse”, longa-metragem sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro e a campanha presidencial de 2018.

Transferências ocorreram ao longo de 2025

As sete parcelas destinadas ao Havengate foram realizadas entre fevereiro e setembro de 2025. O sétimo pagamento, no valor de US$ 1,66 milhão, aproximadamente R$ 9 milhões na época, já havia sido revelado pela revista piauí.

A investigação, porém, busca esclarecer se os recursos enviados ao fundo tiveram somente relação com a produção cinematográfica. Uma das linhas apuradas pela Polícia Federal e pela PGR é verificar se parte do dinheiro também pode ter sido utilizada para financiar o autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Eduardo Bolsonaro se mudou para o Texas em fevereiro de 2025, alegando sofrer perseguição política no Brasil. As circunstâncias dos pagamentos passaram a ganhar relevância dentro das apurações relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master.

Delator também relata entregas de dinheiro vivo

Além das transferências bancárias, Mineiro contou aos investigadores que realizou diversas entregas de dinheiro em espécie, inclusive em malas, para terceiros indicados por Vorcaro. O colaborador, entretanto, afirmou não saber qual era a finalidade desses repasses.

O caso ganhou repercussão política depois que mensagens atribuídas a Flávio Bolsonaro foram divulgadas pelo site Intercept Brasil. O senador teria cobrado dinheiro de Daniel Vorcaro para o financiamento da produção de “Dark Horse”.

Após a repercussão, o episódio passou a afetar a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O senador havia prometido detalhar as contas do filme, mas posteriormente mudou o discurso e passou a tratar o assunto como uma questão superada.

Filme teve 72% dos gastos nos Estados Unidos

Uma perícia privada contratada pela Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, apontou que 72% das despesas do projeto ocorreram nos Estados Unidos. Apenas 28% dos gastos foram registrados no Brasil.

De acordo com o documento, o longa teve custo estimado em US$ 13,39 milhões, equivalente a R$ 75,18 milhões na cotação utilizada pelo perito Anísio Costa Castelo Branco.

Entre as despesas realizadas nos Estados Unidos estão US$ 2,66 milhões em pré-produção, US$ 1,96 milhão em pós-produção e US$ 1,97 milhão na produção. Também foram contabilizados US$ 383,2 mil para o desenvolvimento do projeto e US$ 2,69 milhões na chamada “soft production”.

Perícia aponta gasto elevado na fase inicial

A chamada “soft production” corresponde a uma etapa preparatória do projeto, anterior à pré-produção. Nessa fase, são discutidas questões criativas, técnicas e administrativas, como escolha de elenco e locações, equipamentos e conceitos de figurino.

Segundo cinco produtores do mercado audiovisual brasileiro ouvidos reservadamente, os valores destinados a essa etapa chamam atenção. Os US$ 2,68 milhões apontados na perícia representariam cerca de 20% do orçamento total do filme.

A avaliação desses profissionais é que, em média, uma produção cinematográfica costuma destinar entre 3% e 5% do orçamento para essa fase inicial.

Acordo de colaboração será analisado pelo STF

A defesa de Mineiro foi ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), para analisar aspectos do acordo de colaboração premiada.

Entre os pontos que serão avaliados estão a voluntariedade, a regularidade e a legalidade da negociação. Essa análise é uma etapa prevista na legislação antes de uma eventual homologação do acordo pelo ministro.

Enquanto isso, a Polícia Federal também busca esclarecimentos da Go Up Entertainment sobre aspectos financeiros, contratuais e operacionais relacionados à produção de “Dark Horse”. A empresa encaminhou sua resposta às autoridades na sexta-feira, dia 4.

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