Os advogados do adolescente apontado pela Polícia Civil de Santa Catarina como responsável pela morte do cachorro Orelha afirmam que houve “politização do caso” e rebatem as conclusões da investigação. Em nota, Alexandre Kale e Rodrigo Duarte dizem que o jovem foi indevidamente associado ao episódio.
A defesa questiona a existência de provas materiais e cobra imagens que comprovem a agressão. Também levanta dúvidas sobre a relevância de peças de roupa citadas no inquérito e afirma que, no mesmo horário, outros adolescentes aparecem circulando pela área.
Segundo os advogados, a pressão por apontar um culpado “a qualquer preço” compromete a busca pela verdade, viola ritos legais e pode atingir pessoas inocentes de forma irreparável.
Investigação e medidas pedidas pela polícia
Nesta terça-feira, a Polícia Civil informou que concluiu a apuração sobre a morte de Orelha e os maus-tratos ao cão Caramelo, ocorridos na Praia Brava, em Florianópolis. A corporação indicou um adolescente como agressor de Orelha e solicitou a internação do jovem, medida equivalente à prisão no sistema socioeducativo. Três maiores também foram indiciados por coação a testemunha.
No caso de Caramelo, quatro menores foram identificados por atos infracionais análogos a maus-tratos. O animal conseguiu escapar e acabou adotado pelo delegado-geral da corporação, Ulisses Gabriel, conforme informou a polícia.
Por força do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), dados como nomes, idades e endereços dos investigados permanecem sob sigilo.
Quem era Orelha e como a polícia diz ter apurado
Conhecido pela docilidade, Orelha vivia havia cerca de dez anos na Praia Brava, onde era cuidado por moradores e comerciantes e considerado mascote do bairro. Encontrado ferido em uma área de mata no mês passado, foi levado a uma clínica veterinária e, diante da gravidade do quadro, submetido à eutanásia.
A Polícia Civil afirma ter analisado mais de mil horas de filmagens captadas por 14 equipamentos e ouvido 24 testemunhas. Oito adolescentes foram investigados, e a corporação diz ter identificado o vestuário usado pelo autor em registros de vídeo, além de empregar um software para análise de localização.
A perícia apontou que Orelha sofreu múltiplas agressões, mas o objeto usado não foi localizado. Entre os jovens ligados ao caso, dois teriam viajado para os Estados Unidos após o episódio, segundo a investigação.
Viagem, apreensões e próximos passos
De acordo com a polícia, o adolescente apontado como autor deixou o país no mesmo dia em que os investigadores identificaram os suspeitos e retornou em 29 de janeiro, quando foi abordado no aeroporto. A corporação afirma que um familiar tentou ocultar itens considerados relevantes para a apuração.
A versão policial diz ainda que houve tentativa de justificar a compra de uma das peças durante a viagem, mas que o próprio adolescente teria admitido já possuí-la antes, o que a colocaria no contexto do dia do crime.
Com o depoimento colhido nesta semana, a investigação foi encerrada e encaminhada ao Ministério Público e ao Judiciário. A defesa, por sua vez, sustenta que faltam comprovações e promete contestar as conclusões no processo.






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