Defesa de Bolsonaro volta a pedir cirurgia de urgência e prisão domiciliar após novo exame

Novo laudo aponta agravamento de hérnia e crises de soluço. Defesa busca autorização para operar e cumprir pós-operatório em casa, revertendo a prisão decretada após violação de tornozeleira

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (15), autorização para a realização de uma cirurgia de urgência e a conversão da prisão em regime domiciliar. O novo pedido foi protocolado após a realização de um exame médico no domingo (14), autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, enquanto aguarda a conclusão de perícia médica oficial determinada pelo STF. A defesa sustenta que houve agravamento do quadro clínico desde a última manifestação encaminhada à Corte.

Segundo os advogados, o exame de imagem confirmou a existência de duas hérnias inguinais e apontou a necessidade de intervenção cirúrgica imediata. A condição ocorre quando o tecido do abdômen sai por um ponto fraco ou por uma abertura na parede muscular, formando um abaulamento que causa dores e desconforto, principalmente ao fazer algum tipo de esforço físico. 

No pedido encaminhado ao Supremo, a defesa afirma que o estado de saúde do ex-presidente é “grave, complexo e progressivamente debilitado”. Os advogados pontuam que houve “evolução objetiva e comprovada do quadro clínico”, agora respaldada por novo exame e relatório médico conclusivo.

De acordo com o documento, Bolsonaro precisaria passar por um procedimento de herniorrafia inguinal bilateral, com internação hospitalar sob anestesia geral e permanência estimada entre cinco e sete dias. A defesa também aponta que crises recorrentes de soluço têm intensificado dores e desconforto na região inguinal. 

Os advogados alertam ainda que o aumento da pressão abdominal provocado pelos soluços eleva o risco de encarceramento ou estrangulamento intestinal, o que poderia levar a uma cirurgia de emergência com riscos maiores.

Na semana passada, na esteira dos pedidos de intervenção médica, Carlos Bolsonaro (PL) — de saída da Câmara dos Vereadores — chegou a publicar imagens do pai, ainda antes da prisão, em um episódio de crise enquanto dormia.

Pedido ainda depende de perícia da PF

O novo pedido ocorre enquanto ainda não foi realizada a perícia médica oficial determinada por Alexandre de Moraes. O ministro estabeleceu prazo de até 15 dias para a avaliação, após considerar que exames apresentados anteriormente eram antigos.

A defesa chegou a solicitar que Bolsonaro fosse examinado por seus próprios médicos dentro da unidade da Polícia Federal, o que foi autorizado. A perícia oficial, no entanto, ainda não foi concluída.

Bolsonaro está preso desde o fim de novembro, na sede da PF, em Brasília, cumprindo pena após condenação pelo STF. O julgamento aponta que ele teria liderado uma organização criminosa acusada de tramar uma tentativa de golpe de Estado. Antes disso, ele estava em prisão domiciliar, regime que foi revogado após descumprimento de medidas cautelares no episódio da tentativa de violação da tornozeleira eletrônica.

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