Em meio a um cenário de pressão sobre o orçamento doméstico, quase metade dos brasileiros afirma ter buscado alguma forma de renda alternativa nos últimos meses. O movimento ocorre paralelamente à percepção de insuficiência financeira: quase seis em cada dez entrevistados dizem que a renda familiar não é suficiente para cobrir todas as despesas.
Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Datafolha nos dias 8 e 9 de abril, com 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 117 municípios do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Renda insuficiente pressiona famílias
A avaliação predominante entre os brasileiros é de que os rendimentos atuais não dão conta das necessidades do dia a dia. Em diferentes graus, a maioria dos entrevistados relatou dificuldades para equilibrar o orçamento doméstico.
Segundo o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, o quadro pode estar relacionado ao alto nível de endividamento e às condições econômicas atuais.
“Temos três principais vetores que condicionam o consumo. Um é o mercado de trabalho, outro são os preços, a inflação, e em terceiro vêm as condições de crédito. E hoje as taxas de juros na ponta estão na casa de 60% ao ano, o que não víamos desde 2017.”
Impacto maior na baixa renda
A dificuldade financeira é ainda mais acentuada entre os brasileiros com menor renda. No grupo que recebe até dois salários mínimos, cerca de sete em cada dez afirmam que o dinheiro não é suficiente para cobrir as despesas.
Esse cenário evidencia uma maior vulnerabilidade econômica entre as camadas mais baixas da população, que enfrentam maior dificuldade para lidar com o aumento de preços e o custo do crédito.
Busca por renda complementar cresce
Diante desse contexto, a busca por fontes alternativas de renda se intensificou. Quase metade dos entrevistados relatou ter procurado atividades adicionais para complementar o orçamento.
De acordo com Bentes, essa tendência está ligada à estrutura do mercado de trabalho no país.
“O mercado de trabalho em si anda aquecido, mas os salários são baixos. Isso leva a essa busca por complementação de renda em outras atividades, às vezes até nas informais”, diz.
A pesquisa também indica que a procura por renda extra é mais frequente entre pessoas com maior nível de escolaridade, como aquelas que possuem ensino médio ou superior. Já entre indivíduos com ensino fundamental, a participação é menor, em parte devido à presença de aposentados e pessoas fora do mercado de trabalho.
Queda de renda agrava percepção de aperto
Outro fator que contribui para o cenário de insatisfação financeira é a redução recente da renda. Cerca de quatro em cada dez brasileiros afirmaram ter tido queda nos rendimentos familiares nos últimos meses.
Esse movimento se soma ao alto nível de endividamento, já que aproximadamente dois terços dos entrevistados relataram possuir dívidas, ampliando a sensação de aperto no orçamento.
A perda de renda foi mais intensa entre pessoas de 35 a 44 anos, faixa etária em que quase metade relatou redução nos ganhos.






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