As mulheres brasileiras demonstram maior insegurança e desânimo em relação à própria situação financeira do que os homens, além de perceberem com mais intensidade os efeitos negativos das finanças pessoais sobre a saúde. É o que aponta uma pesquisa do Datafolha realizada nos dias 8 e 9 de abril, com 2.002 entrevistados de 16 anos ou mais em 117 municípios do país.
O levantamento, divulgado pela Folha de S. Paulo, mostra que o desconforto com a vida financeira é generalizado, mas atinge com mais força o público feminino. No total, quatro em cada dez brasileiros classificam seu humor em relação às finanças como ruim ou péssimo. Entre as mulheres, esse percentual sobe para 44%, enquanto entre os homens é de 36%.
Humor financeiro em queda
Para medir a percepção dos brasileiros, a pesquisa criou um índice de humor financeiro baseado em seis sentimentos negativos: preocupação, desânimo, tristeza, insegurança, medo maior que esperança e sensação de despreparo para o futuro.
Quanto maior o número de sentimentos apontados, pior a avaliação. O resultado indica que uma parcela significativa da população convive com ansiedade e incerteza quando o assunto é dinheiro.
Além disso, quase metade dos entrevistados classifica a situação financeira pessoal e familiar como regular, reforçando um cenário de estabilidade frágil e pouco satisfatória.
Diferença de renda pesa no resultado
Especialistas apontam fatores estruturais para explicar por que as mulheres se mostram mais afetadas. Segundo o economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, a desigualdade de renda é um dos principais elementos.
“Há a questão socioeconômica. O rendimento das mulheres é, em média, cerca de 20% menor do que o dos homens, o que já as coloca em situação de maior vulnerabilidade financeira.”
Ele também destaca que a menor participação feminina no mercado de trabalho amplia a exposição a dificuldades como endividamento e inadimplência.
“A diferença salarial pode chegar a cerca de 30% em favor dos homens quando se consideram cargos de liderança nas empresas, em que a participação feminina é bem pequena”, lembra Bentes.
Maior endividamento entre mulheres
Outro dado relevante da pesquisa aponta que um percentual maior de mulheres afirma estar com o nome negativado. Esse indicador reforça a percepção de maior fragilidade financeira entre elas, em comparação aos homens.
A combinação de renda mais baixa, maior dificuldade de inserção no mercado e responsabilidades financeiras mais amplas contribui para esse cenário.
Impacto direto na saúde
A pesquisa também revela que as mulheres percebem de forma mais intensa os efeitos das finanças sobre a saúde, tanto física quanto mental. O impacto se estende ainda ao desempenho no trabalho e nos estudos, indicando que a questão financeira ultrapassa o campo econômico e afeta o cotidiano de forma mais ampla.
Bentes observa que mudanças sociais recentes ajudam a explicar esse quadro. “Muitas vivem sozinhas e acabam assumindo a responsabilidade financeira pelas suas famílias.”
Percepção atual e expectativas
Apesar do cenário de preocupação, há sinais de expectativa positiva em relação ao futuro. A maioria dos entrevistados acredita que a situação financeira pessoal e familiar deve melhorar, sendo que uma parcela expressiva projeta melhora significativa.
Ainda assim, cerca de metade da população mantém uma avaliação apenas regular do momento atual, o que indica cautela e incerteza diante das condições econômicas.






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