Cunhado de Vorcaro, Zettel se entrega à Polícia Federal

Empresário é alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero e é investigado por suposta participação em esquema ligado ao grupo Master e contratos simulados com servidor do BC

O empresário Fabiano Campos Zettel se apresentou à Polícia Federal em São Paulo nesta quarta-feira (4), após a deflagração da terceira fase da Operação Compliance Zero. Ele é investigado por suspeita de envolvimento em operações financeiras associadas ao grupo Master e por participação em um suposto esquema de contratação simulada envolvendo um servidor do Banco Central.

Casado com Natalia Vorcaro, irmã do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Zettel já havia sido preso na primeira etapa da operação, em novembro do ano passado. Na ocasião, foi detido quando se preparava para embarcar para Dubai em um jatinho particular, mas acabou liberado poucas horas depois.

Mandado do STF e contrato simulado

O mandado de prisão foi expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. Na decisão, o magistrado aponta a existência de mensagens trocadas entre Zettel e Vorcaro que indicariam atuação direta do empresário na gestão de pagamentos em nome do ex-banqueiro, informa a Folha de S.Paulo.

Segundo Mendonça, Zettel teria participado da elaboração e do encaminhamento de proposta de contratação simulada estruturada para formalizar vínculo contratual fictício com o servidor Belline Santana, do Banco Central. O contrato teria sido viabilizado por meio da empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal Ltda., apontada como fachada para o arranjo.

Trechos da decisão

Na decisão, o ministro afirma que o investigado “participou da elaboração e encaminhamento de proposta de contratação simulada, estruturada para formalizar vínculo contratual fictício”. O texto também destaca que Zettel “participou da discussão sobre os termos do documento que seria encaminhado ao servidor público e acompanhou as tratativas relativas à formalização do instrumento contratual”.

Ainda segundo o magistrado, o contrato foi “posteriormente utilizado para justificar pagamentos associados às atividades supostamente prestadas”. As apurações integram o conjunto de investigações sobre o chamado caso Master.

Estrutura paralela e alvos

A decisão menciona ainda a atuação de Zettel na operacionalização de pagamentos destinados a um grupo informal conhecido como “A Turma”. Conforme descrito pelo STF, essa estrutura teria sido utilizada para monitoramento e coleta de informações de interesse do grupo investigado, além da prática de atos de coação e intimidação.

Entre os supostos alvos estariam concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas considerados ameaças à organização. O nome do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, aparece entre os citados nas comunicações analisadas pela Polícia Federal.

Defesa e versão do empresário

Em nota divulgada nesta quarta-feira, a defesa afirmou que Zettel se apresentou espontaneamente às autoridades assim que tomou conhecimento da nova fase da operação. “Em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”, declarou.

No âmbito do caso Master, Zettel também é investigado por possível participação em fundo de investimentos que se tornou sócio de Toffoli e seus irmãos no resort Tayayá. À época da revelação do caso, a defesa sustentou que o empresário exerce atividades conhecidas e lícitas, sem qualquer relação com a gestão do Banco Master.

Atuação empresarial e conexões políticas

Ex-pastor da Igreja da Lagoinha, Zettel ganhou notoriedade por ter sido um dos maiores doadores das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022. No meio empresarial, é fundador e CEO da Moriah Asset, empresa voltada a investimentos no setor de bem-estar.

Por meio da companhia, tornou-se sócio do Grupo Frutaria, controlador de marcas como Frutaria São Paulo, Empório Frutaria e Néctar, além da rede de açaí Oakberry, da academia Les Cinq e das marcas Desinchá e Super Nutrition. Ele também foi diretor da Super Empreendimentos, responsável pela aquisição, em 2024, de uma residência avaliada em R$ 36 milhões em Brasília, imóvel que se tornou ponto de encontros políticos durante o governo Bolsonaro.

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