Crise na Alerj cancela festas de fim de ano e paralisa votações após caso Bacellar

Tensão institucional afeta agendas políticas, pressiona deputados e põe fim às confraternizações marcadas para esta semana, incluindo evento no Campo de Golfe Olímpico

A turbulência na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ganhou contornos que ultrapassam a disputa política. A prisão e o afastamento do deputado Rodrigo Bacellar (União) do comando da Alerj, determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, paralisaram votações importantes, alteraram a rotina da Casa e provocaram até o cancelamento das festas de fim de ano organizadas pelos parlamentares e servidores.

Segundo reportagem do jornal O Globo, uma confraternização prevista para a próxima quinta-feira, no Campo de Golfe Olímpico, na Barra da Tijuca, já estava nos planos da Mesa Diretora e circulavam rumores de que o cantor Belo poderia ser uma das atrações do evento. Mas, diante da crise que se instaurou, a agenda festiva foi suspensa. Nos bastidores, a percepção é de que não havia mais espaço para comemorações.

“O plano de trabalho traçado com Bacellar era para votarmos a autorização para que o Rio possa aderir ao Propag, o orçamento de 2026 e as contas do governador Cláudio Castro (PL) de 2022 e 2023 até a próxima quarta-feira (17), para encerrar os trabalhos em 2025. A realidade é que ninguém tem mais cabeça para pensar em festa. Seria até estranho manter a comemoração”, contou um deputado.

Em nota enviada ao Agenda do Poder, o Campo de Golfe disse que a informação de que havia uma festa marcada pela Mesa Diretora da Alerj em suas dependências é falsa.

Operação, afastamento e impacto nas votações

Bacellar foi preso no último dia 3 durante a Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Segundo a corporação, ele é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro, que levou à prisão do então deputado estadual TH Joias, acusado de ligação com o Comando Vermelho. Após a prisão, a decisão do ministro Alexandre de Moraes também afastou Bacellar da presidência da Alerj.

Os deputados chegaram a revogar a prisão, mas não deliberaram sobre o afastamento do cargo. Nesta quarta-feira, Bacellar solicitou licença de dez dias, exatamente o período que resta até o início do recesso. Com isso, a Casa tenta seguir adiante, mas parlamentares admitem que há grande incerteza sobre a condução das últimas votações do ano.

Confraternizações internas também foram canceladas

A festa da Mesa Diretora não foi o único evento descartado. Chefes de gabinete também planejavam um encontro na quinta-feira, em uma galeteria próxima à Alerj, com comanda individual. Assim como a celebração dos deputados, o encontro foi cancelado diante do ambiente de instabilidade institucional.

Em um grupo de mensagens que reúne assessores do Legislativo, um dos organizadores comunicou a decisão:

“Como todos sabem não há clima para qualquer tipo de comemoração, portanto está cancelada nossa confraternização. Agradeço imensamente a compreensão de todos”.

Clima político conturbado e incerteza sobre o fim do ano legislativo

A crise interna afeta diretamente a pauta da Alerj, que precisa votar temas sensíveis antes do recesso. Entre eles estão a autorização para a adesão do estado ao Propag, o novo programa de refinanciamento de dívidas com a União, além do orçamento de 2026 e das contas do governador Cláudio Castro referentes a 2022 e 2023.

Deputados afirmam que o ambiente político está fragilizado e que a ausência de Bacellar, somada ao impasse sobre a sucessão no comando da Casa, tornou indefinida a dinâmica das votações. A percepção entre parlamentares é de que a prioridade agora é reduzir danos e tentar restabelecer alguma normalidade até o fim do ano.

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