O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente publicou, nesta sexta-feira (12), uma resolução proibindo a internação de crianças e adolescentes em comunidades terapêuticas. O órgão é ligado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
As comunidades terapêuticas são entidades privadas, sem fim lucrativos, que acolhem pessoas com transtornos devido ao uso ou dependência de drogas. Sob Bolsonaro, passaram a receber financiamento do governo, mas são criticadas por profissionais da saúde mental por usarem métodos de tratamento não aceitos pela ciência e que ferem direitos humanos, como o trabalho forçado e leitura obrigatória da Bíblia. Com a resolução de hoje, apenas adultos poderão ser recebidos nessas instituições.
O Conselho levou em consideração denúncias de violações cometidas nessas comunidades, como contenções físicas e casos de intolerância.
Além disso, o órgão também analisou relatórios de inspeções que identificaram violação de direitos básicos, como o contato com a família e a restrição do acesso à educação.
Na resolução, o conselho cita ainda que:
- a internação em comunidades terapêuticas, segundo a decisão, representa uma ação de privação de liberdade, “infringindo os direitos à liberdade, participação e convivência familiar” de crianças e adolescentes;
- o acolhimento desse público viola proteções previstas na Constituição;
- as comunidades terapêuticas possuem estrutura “baseada no isolamento, violência, abstinência e não transitoriedade”.
O conselho determinou também que, em casos de atendimento de urgência e emergência, o acolhimento ocorra preferencialmente em Centros de Atenção Psicossocial (Caps), hospitais ou em uma Unidade de Acolhimento Infanto-juvenil de Saúde (Uais).
O Poder Executivo também terá de identificar todas as crianças e adolescentes que estão internados em comunidades terapêuticas. Após isso, o governo deve elaborar um plano para reencaminhá-los para atendimento em uma unidade adequada.
Com informações do g1.
Leia mais:





