Colômbia prende suspeitos de atentados que deixaram 19 mortos e dezenas de feridos

Walter Esteban Yonda Ipía e Carlos Steven Obando devem ser formalmente acusados nos próximos dias por ligação com o atentado em Cali.

Dois homens apontados como participantes dos ataques que provocaram 19 mortes e dezenas de feridos na Colômbia foram apresentados neste sábado (23) a um juiz, dois dias após serem presos em flagrante. Segundo o Ministério Público, Walter Esteban Yonda Ipía e Carlos Steven Obando devem ser formalmente acusados nos próximos dias por ligação com o atentado em Cali.

As investigações indicam que a dupla teria transportado dois caminhões carregados de explosivos até a Escola de Aviação Militar Marco Fidel Suárez, onde detonaram as cargas. A explosão matou seis pessoas e deixou mais de 60 feridos. “A comunidade impediu a fuga e os entregou à Polícia Nacional, ação validada pelo juiz responsável pelas audiências”, informou a Promotoria. Um procurador da Direção Especializada contra Organizações Criminosas será responsável pela acusação.

Os ataques ocorreram horas antes da chegada do presidente residente Luiz Inácio Lula da Silva ao país, para participar da Cúpula dos Países Amazônicos, em Bogotá,  capital da Colômbia.

O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, atribuiu o ataque à principal dissidência das Farc, o Estado Maior Central (EMC), liderado por Iván Mordisco. Embora o grupo não tenha reivindicado a autoria, o presidente Gustavo Petro vem comparando Mordisco a Pablo Escobar, morto em 1993, e afirmou que o guerrilheiro estaria ferido e em fuga pela Amazônia. Na sexta-feira (22), as autoridades anunciaram a captura de seu irmão, Mono Luis, em uma casa de campo em El Peñón, Cundinamarca. Segundo a polícia, ele atuava como operador financeiro e logístico do EMC.

Na mesma quinta-feira (21), outro atentado deixou 13 policiais mortos em Amalfi, ao norte de Medellín. A ação, atribuída ao Estado Maior de Blocos e Frente (EMBF), braço dissidente do EMC comandado por um guerrilheiro conhecido como Calarcá, derrubou um helicóptero da polícia durante uma missão de erradicação de drogas. O ataque envolveu rifles de alto calibre e drones.

A escalada da violência repete episódios recentes. Em 10 de junho, ofensivas coordenadas deixaram oito mortos e mais de 40 feridos nos departamentos de Valle del Cauca e Cauca. À época, o governo colombiano já havia responsabilizado Iván Mordisco, oferecendo recompensa de 300 milhões de pesos colombianos (cerca de R$ 407 mil) por informações que levassem à sua captura.

Diante do recrudescimento dos ataques, Petro — primeiro presidente de esquerda da Colômbia e ex-guerrilheiro — vem endurecendo o discurso, que antes criticava a retórica de guerra ao terror usada por antecessores. “O golpe em Cali é brutal, profundo, de terror”, disse. Ele pediu que o Estado colombiano e a comunidade internacional classifiquem como organizações terroristas tanto as dissidências das Farc quanto o Clã do Golfo, principal cartel produtor de cocaína do país e único grupo ainda envolvido em negociações de paz no Catar.

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