A disputa pela sucessão de Jair Bolsonaro em 2026 acirrou o clima dentro da direita neste fim de semana. O governador do Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), criticou publicamente o senador Ciro Nogueira (PP-PI) por ter afirmado, em entrevista a O Globo, que o ex-presidente já definiu quem será o nome da direita na disputa pelo Planalto — restrito, segundo ele, a Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou Ratinho Júnior (PSD).
“A ansiedade de Ciro Nogueira em se colocar como candidato a vice-presidente do governador Tarcísio é vergonhosa”, escreveu Caiado nas redes sociais. “Algo tão gritante que ele já se coloca como porta-voz do presidente Bolsonaro, o que ele não é”, diz trecho do post.
O governador goiano disse ainda que, se Bolsonaro tivesse um porta-voz, esse papel caberia à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ou a um de seus filhos.
Ciro aponta favoritos de Bolsonaro e defende união da direita
Na entrevista publicada neste sábado (5), Ciro Nogueira afirmou que o ex-presidente já decidiu quem apoiará em 2026 e que o anúncio será feito em janeiro. Segundo ele, apenas dois nomes são viáveis: Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, e Ratinho Júnior, do Paraná.
“Acredito que ele já decidiu. Se fosse hoje, vejo dois candidatos viáveis: Tarcísio e Ratinho Júnior. Eles têm metade da rejeição do Bolsonaro e grande potencial de crescimento”, disse o senador, que também defendeu uma “unificação da direita e do centro-direita” contra o PT.
O ex-ministro da Casa Civil também reforçou que Tarcísio seria o nome natural de Bolsonaro. “Ele queria ser candidato ao Senado em Goiás, mas o Bolsonaro disse: ‘Você vai para São Paulo e vai ganhar’. E ele obedeceu. Não tenho dúvida de que, se for convocado agora, ele aceitará”, afirmou.
Fragmentação e disputas internas
A reação de Caiado escancarou as divisões dentro do campo conservador. Em meio à inelegibilidade de Bolsonaro, governadores e aliados disputam espaço como possíveis herdeiros políticos do ex-presidente. Além de Tarcísio e Ratinho Júnior, nomes como o próprio Caiado, Romeu Zema (Novo) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) aparecem como potenciais pré-candidatos.
“De pronto, Ciro já veta pelo menos três pré-candidaturas: as de Romeu Zema, Eduardo Bolsonaro e a minha, prestando um enorme desserviço à direita”, rebateu o governador goiano. “Não falo por Zema ou Eduardo, mas quanto à minha pré-candidatura, devo dizer que não dependo de aval de Ciro Nogueira”, completa.
O embate ocorre em um momento de reorganização entre partidos da direita, após o anúncio da federação entre União Brasil e Progressistas. Apesar da aliança formal, a troca de farpas evidencia que a disputa pelo apoio de Bolsonaro — mesmo fora das urnas — continua a definir os rumos do campo conservador.






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