O que começou como um debate sobre fiscalização de gastos públicos terminou em troca de acusações, menções a cargos políticos e cobranças sobre contratos milionários no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Durante o expediente final desta quinta-feira (14), os deputados Vitor Júnior (PDT) e Filippe Poubel (PL) protagonizaram um bate-boca após o pedetista afirmar que o presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), seria o “HD vivo” dos últimos anos do governo Cláudio Castro, numa referência ao dispositivo de armazenamento de informações de computadores.
A discussão começou após o pedetista defender a necessidade de ampliar a fiscalização sobre os gastos do governo estadual e anunciar o protocolo de um requerimento para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar contratos relacionados a radares eletrônicos.
Pressão sobre contratos
O parlamentar também citou possíveis medidas que, segundo ele, poderiam ajudar a enfrentar o déficit fiscal do estado, mencionando investigações relacionadas à Refit, ao Banco Master e aos contratos do próprio Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), que ele vem denunciando há mais de uma semana.
“Essa comissão especial deveria tornar realidade a CPI da Refit para pedir ressarcimento aos cofres públicos do Estado de mais de R$ 8 bilhões feito com acordo da Refit. Já resolveríamos R$ 8 bilhões do problema do que teremos de déficit orçamentário”, declarou.
Na sequência, o deputado também citou recursos relacionados ao Banco Master. “Poderíamos pedir ao Banco Master R$ 1 bilhão de volta do que foi aplicado para o recurso lá de retirada do fundo de previdência, aí já seriam R$ 9 bilhões”, contabilizou.
Questionamentos sobre radares
Vitor Júnior ainda voltou a questionar contratos envolvendo radares eletrônicos e disse ter apresentado um adendo a denúncia já feito junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre o tema.
“Apresentei ontem um adendo, um aditivo ao TCE, que saiu de 2022 com a contratação de 85 aparelhos de radar eletrônico por R$ 8 milhões. Licitação essa que foi feita com desconto de 50%, deputado Poubel”, disse.
O parlamentar também pediu apoio de Filippe Poubel para a criação da CPI dos radares eletrônicos. “O senhor é um deputado que atua diretamente contra a máfia do Detran, contra a máfia do reboque e tenho certeza de que vai assinar o pedido de CPI em que dei entrada hoje para a gente implantar a CPI dos radares eletrônicos”, afirmou.
Em seguida, Vitor Júnior comparou contratos realizados em anos diferentes.
“Como é que uma licitação de 2022, contratando 85 radares eletrônicos por R$ 8 milhões com 50% de desconto, vai para 2025 contratando 390 aparelhos de radar eletrônico por R$ 238 milhões para as mesmas empresas?”, questionou.
Troca de acusações
A fala provocou reação imediata do líder do PL na Alerj, aliado político de Douglas Ruas. O deputado acusou Vitor Júnior de ter participado do governo Cláudio Castro e de ter feito indicações políticas em órgãos estaduais.
“O senhor também era deputado do coração do governador Cláudio Castro. Tinha indicação no Detran de Niterói, cargos no Segurança Presente, entre outros”, afirmou Poubel.
O parlamentar do PL também acusou o pedetista de ter buscado apoio político junto ao então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. “Ficou de joelhos pedindo ao ex-presidente Rodrigo Bacellar o apoio do União Brasil à reeleição do Rodrigo Neves em Niterói”, disse.
Resposta sobre indicações
Vitor Júnior rebateu as acusações e admitiu ter indicado uma pessoa para um cargo no Detran, mas afirmou que a indicação durou pouco tempo.
“Eu indiquei uma pessoa durante três meses para o posto do Detran e retirei essa pessoa de lá. Sabe por quê? Porque eu não vou compactuar com o mecanismo, com o modus operandi daquilo que acontecia ali dentro”, respondeu.
O deputado também reforçou, durante sua fala, que a fiscalização dos gastos da Alerj deve vir acompanhada de investigações sobre despesas do governo estadual.
A discussão elevou o tom no plenário e exigiu intervenção do deputado Flávio Serafini (PSOL), que presidia o expediente final. Em alguns momentos, ele interrompeu os microfones para tentar conter os ânimos e encerrar o bate-boca entre os parlamentares.







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