A corrida pelo governo de Minas Gerais ganhou uma nova reviravolta nesta sexta-feira (7). Depois de vetar a candidatura do senador Cleitinho Azevedo, o Republicanos voltou atrás e autorizou o parlamentar a disputar o Palácio Tiradentes nas eleições de 2026.
O anúncio foi feito por Cleitinho e pelo presidente estadual do Republicanos, Euclides Pettersen, durante entrevista em Divinópolis, principal reduto eleitoral do senador. A decisão também recebeu o aval do presidente nacional da legenda, Marcos Pereira.
A chapa terá o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos, como candidato a vice-governador.
A mudança chama atenção porque ocorreu apenas três dias depois de Marcos Pereira descartar publicamente uma revisão do veto à candidatura durante a convenção nacional do partido.
Partido volta atrás
A decisão foi tomada após Cleitinho e Euclides Pettersen se reunirem com Marcos Pereira em São Paulo nesta sexta-feira.
Até então, a cúpula do Republicanos resistia à entrada do senador na disputa. Na véspera da convenção partidária, Cleitinho chegou a gravar um vídeo ao lado do presidente nacional da sigla anunciando que não concorreria ao governo mineiro.
No dia seguinte, porém, mudou novamente de posição. Segundo o próprio senador, ele havia sido “tocado pelo Espírito Santo” e decidido retomar o projeto eleitoral.
A partir daquele momento, Cleitinho passou a pressionar publicamente o Republicanos para rever a decisão e autorizar sua candidatura.
O impasse ganhou novos capítulos até esta sexta-feira, quando a legenda confirmou oficialmente a mudança de rumo.
Cleitinho lidera pesquisa
A entrada de Cleitinho altera diretamente uma disputa na qual ele aparece atualmente à frente nas pesquisas.
Levantamento Genial/Quaest divulgado em 28 de julho mostrou o senador liderando todos os cenários testados para o governo de Minas Gerais.
No cenário estimulado com maior número de candidatos, Cleitinho tinha 35% das intenções de voto. Alexandre Kalil (PDT) aparecia com 12%, seguido por Patrus Ananias (PT), com 10%, e pelo governador Mateus Simões (PSD), com 6%.
Gabriel Azevedo (MDB) tinha 4%, enquanto Ben Mendes e Flávio Roscoe (PL) apareciam com 2% cada.
A pesquisa ouviu 1.482 eleitores entre 22 e 26 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o número MG-03490/2026.
A Quaest também mostrou vantagem de Cleitinho em cenários de segundo turno. Contra Alexandre Kalil, por exemplo, o senador tinha 44%, ante 29% do ex-prefeito de Belo Horizonte.
Republicanos impõe condições
Na noite desta sexta-feira, a direção nacional do Republicanos divulgou uma nota para explicar a mudança.
Segundo o partido, a decisão foi tomada depois de Cleitinho reconhecer erros cometidos durante as negociações e apresentar desculpas à direção nacional e estadual da legenda, à população mineira e às forças políticas envolvidas nas articulações eleitorais.
O senador também teria assumido o compromisso de manter sua candidatura até o fim da campanha.
Outra condição definida pela legenda é financeira: Cleitinho não contará com recursos do fundo eleitoral do Republicanos para bancar sua campanha ao governo.
A medida ocorre depois de semanas de incerteza sobre o futuro político do senador.
Sucessão de idas e vindas
Cleitinho vinha dando sinais contraditórios sobre a candidatura há meses. O Republicanos esperava inicialmente que ele anunciasse sua decisão até a convenção estadual, realizada em 26 de julho.
O senador, porém, não participou do encontro. Na ocasião, justificou a ausência pela morte recente do irmão mais novo.
Dias depois, publicou nas redes sociais um vídeo dizendo que “aceita a missão”, movimento interpretado por aliados como indicação de que pretendia disputar o governo.
Mesmo assim, a legenda ainda resistia à candidatura e chegou a discutir apoio a Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil de Minas Gerais.
A articulação acabou não avançando.
Tabuleiro mineiro muda novamente
A disputa estadual passou por outras mudanças nas últimas semanas.
Marcelo Aro não conseguiu consolidar o apoio das siglas que buscava. O PL decidiu lançar o empresário Flávio Roscoe, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), como candidato ao governo.
Já o PP, partido de Aro e integrante de uma federação com o União Brasil, decidiu apoiar a candidatura à reeleição do governador Mateus Simões, do PSD.
Com isso, Aro seguirá para a disputa pelo Senado sem integrar uma chapa vinculada a um candidato a governador.
A confirmação de Cleitinho acrescenta agora ao cenário o candidato que liderava os levantamentos recentes e encerra, ao menos por enquanto, uma sequência de desistências, vetos e mudanças de posição que marcou a definição da candidatura do Republicanos em Minas.

Deixe um comentário