*Paulo Baía
A pesquisa Quest/Genial para o governo do estado do Rio de Janeiro tem um retrato interessante, porém volátil. Consolida a posição de que o primeiro e o segundo lugar são retratados no momento com Cláudio Castro, do PL, com 24% e Marcelo Freixo, do PSB, com 22%. Os dois estão tecnicamente empatados na margem de erro de 2,8% do Instituto Quest. Esse retrato não é diferente dos anteriores. A novidade da pesquisa Quest para o governo do estado foi a inclusão do nome do ex-governador Garotinho, que vem bem pontuado, com a preferência eleitoral de 6%. Mas a pesquisa também mostra uma outra novidade, que foi o crescimento de Rodrigo Neves, que pontua também 6%. Rodrigo Neves, que vinha estacionado nas pesquisas, como exemplo na pesquisa anterior da Quest, dá um salto e se coloca num patamar de 6%, muito distante ainda de Marcelo Freixo e Cláudio Castro, mas com um patamar semelhante ao de Anthony Garotinho. Os demais candidatos estão com seus patamares definidos e não deixarão de ser candidatos, ficando dessa forma. E há uma novidade que surge no mesmo dia da divulgação da pesquisa Quest. Eduardo Paes anuncia a desistência da candidatura de Felipe Santa Cruz e a composição de apoio à chapa de Rodrigo Neves, do PDT, deslocando Felipe Santa Cruz para vice de Rodrigo Neves.
Creio que as informações de pesquisas levaram Eduardo Paes a tomar esta decisão. É uma decisão que monta uma chapa que disputará entre 5 a 10% dos votos, com Rodrigo Neves e Felipe Santa Cruz. Há uma certa picardia de provocação ao apoiar Alessandro Molon para o senado, e isso não afeta o cenário já definido dessa pesquisa da polarização entre Cláudio Castro e Marcelo Freixo. Eu quero ressaltar que Cláudio Castro é o candidato oficial do PL, o partido liberal e partido do presidente Jair Bolsonaro. Formalmente Cláudio Castro é o candidato de Jair Bolsonaro e Jair Bolsonaro é o candidato de Cláudio Castro. Formalmente Marcelo Freixo é o candidato apoiado por Lula, de maneira declarada. Portanto, nós temos uma disputa que segue a polarização nacional. Cláudio Castro junto com Jair Bolsonaro e Marcelo Freixo junto com o Lula. Esses dois nomes estão alinhados ao que sinaliza a polarização da eleição para Presidente da República e consolidam a polarização entre Lula e Jair Bolsonaro. Entretanto, existe um tempero, uma química, que poderíamos até chamar de uma alquimia, para ser mais esotérico, na campanha do estado do Rio de Janeiro. É que grupos de prefeitos e candidatos a deputado estadual e a deputado federal que apoiam Castro também apoiam o presidente Lula. E grupos de candidatos a deputado estadual e a deputado federal que apoiam Marcelo Freixo também apoiam Jair Bolsonaro. Então, se a polarização está retratada formalmente com PSB e PL, com Lula e com Jair Bolsonaro, quando você desce para o mundo da vida, para o mundo eleitoral, a escolha de um governador tem uma diferença para a escolha de presidente da república. O papel que os candidatos a deputado estadual e deputado federal e que os prefeitos têm são muito grandes. Nós no estado do Rio de Janeiro temos 92 prefeitos. Por exemplo, Eduardo Paes é um grande eleitor, como prefeito, na cidade do Rio de Janeiro. A sua movimentação estratégica tem um impacto eleitoral. Ao mesmo tempo que os outros 91 prefeitos também estão fazendo escolhas, que tem como foco os seus municípios. Daí o mosaico, o caleidoscópio que compõe o apoio de um deputado estadual no município, de um deputado federal no município e a sua ligação com a candidatura de Cláudio Castro, com a candidatura de Marcelo Freixo, com a candidatura de Rodrigo Neves, diferencia da sua escolha para apoiar o presidente Jair Bolsonaro ou apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
E eu não vou dizer que a polarização de presidente da república não está sendo refletida na sucessão estadual. Está! Mas será relativizada sobretudo pelo governador Cláudio Castro. Não por Marcelo Freixo, pois ele tem interesses estratégicos em firmar sua aliança absoluta com Luiz Inácio Lula da Silva e ser radicalmente contra Jair Bolsonaro. Já Cláudio Castro tem motivos concretos para votar em Jair Bolsonaro, declarar voto em Bolsonaro, mas flexibilizar sua base de apoio permitindo que grande parte da sua base de apoio também faça a chamada dobradinha Castro – Lula. No próprio comício, ou melhor manifestação, já que não podemos ter comícios na fase pré-candidatura, do Partido dos Trabalhadores, com Lula na Cinelândia na cidade do Rio de Janeiro, havia, na frente do palanque, uma faixa com o escrito “Castro – Lula”, o que representa a escolha de mais de 50 prefeitos das 92 prefeituras do Rio de Janeiro. E esses mais de 50 prefeitos, aliançados com campanhas de deputado estadual e deputado federal que estão apoiando, por questões práticas e pragmáticas, Cláudio Castro e, também, Luiz Inácio Lula da Silva, por questões de sobrevivência política. Portanto, você tem um mix mais variado no perfil de Cláudio Castro. E é de chamar atenção também que a rejeição a Cláudio Castro aumentou, à medida que ele foi se tornando mais conhecido. Isso vai acontecer também com Rodrigo Neves, na medida em que ele fica mais conhecido a rejeição aumenta. O perfil de rejeição de Marcelo Freixo continua o mesmo, estacionado com sinais de queda. Portanto, o cenário da sucessão estadual que temos para hoje é esse. Chamando atenção que o ex-governador Antônio Garotinho não será candidato ao governo do estado. Assim esse dado terá que ser desconsiderado. Mas quando a pesquisa foi realizada ele ainda era pré-candidato ao governo do estado.
*Sociólogo, cientista político , técnico em estatística e professor da UFRJ.






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