*Paulo Baía
A pesquisa do Instituto Quaest divulgada no dia 18, mais uma vez dá um show de tecnologia, aprimorando a metodologia, com as tecnologias usadas, dando maior precisão a todos os quadros e cenários pesquisados entre o dia 12 e o dia 15 de agosto, e consistência tanto para a pesquisa para governador como para a de senador.
Nesse artigo vou falar do retrato para governador do RJ.
O governo Cláudio Castro é bem avaliado por mais de 60% dos entrevistados. Digo que é bem avaliado porque a soma dos que consideram o governo regular, em todas as categorias e cenários, por categorias de educação, por faixa de renda, agregados aos que afirmam que o governo é ótimo e bom está acima de 60%. Portanto, o governo Cláudio Castro é bem avaliado ou, em uma outra leitura, o governo Cláudio Castro não é mal avaliado, repudiado, pois a maioria dos entrevistados consideram que o governo Cláudio Castro não é ruim.
O segundo ponto que chama atenção na pesquisa é que o governador Cláudio Castro ainda é desconhecido da maioria da população, o eleitorado ainda não sabe quem é Cláudio Castro, o que é um facilitador para ele.
Mas na medida em que sua campanha eleitoral ganha visibilidade, que avança, seu nome passa a ser mais conhecido e consequentemente associado ao governo do RJ. Isso representa uma alavanca poderosa favorável a Cláudio Castro.
Cláudio Castro faz uma campanha flexível em relação a Jair Bolsonaro, Lula da Silva, Ciro Gomes e Simone Tebet.
O segundo lugar de maneira consolidada nessa pesquisa de 18/08 é o deputado federal Marcelo Freixo, que é o nome mais conhecido por todo o eleitorado. Como consequência, tem uma enorme rejeição, a maior rejeição entre todas as demais candidaturas, rejeição que se confirma pesquisa a pesquisa. Não muda o desenho da foto de Marcelo Freixo, nos levantamentos dessa série histórica do Instituto Quaest.
Como afirmei, o nome de Freixo é mais conhecido por todos os eleitores. Assim sendo, ao aumentar o ritmo e velocidade da campanha, Marcelo Freixo fica mais exposto, pois já é conhecido. Considero esse fato uma alavanca negativa para Marcelo Freixo, ao contrário do que é para Cláudio Castro e Rodrigo Neves, menos conhecidos. Enfim, o fato de ser o mais conhecido também determina a escolha do voto pré definido no retrato pela Quaest no dia 18 de agosto. Nessa foto, Marcelo Freixo é um candidato cujo potencial, ao que tudo indica, bateu no teto. Freixo não ultrapassará os índices apresentados neste retrato da pesquisa Quaest, mesmo com uma campanha muito bem feita e diretamente vinculada a de Lula da Silva. Pelo contrário, quanto mais Marcelo Freixo faz campanha, maiores são as possibilidades dele perder votos que hoje tem e não ganhar adesão de novos eleitores.
O que leio com os dados e informações da Quaest é que Marcelo Freixo é uma candidatura que possui estruturalmente a derrota como vetor de direção, como aconteceu com a candidatura de Darcy Ribeiro em 1986.
Não digo que o professor Marcelo Freixo vai perder votos nas próximas semanas. Quem vai votar em Marcelo já está definido agora. Mas digo que Marcelo Freixo não conquistará novos votos, ao contrário de Cláudio Castro e de Rodrigo Neves, ao contrário de Paulo Ganime, do partido novo, ao contrário de Cyro Garcia. Surpreende a posição de estabilidade consistente do candidato do PSTU, em quarto lugar de pesquisa em pesquisa, é a melhor performance de Cyro Garcia, candidato permanente em todas as eleições majoritárias no RJ.
Para felicidade do velho combatente de 93 anos de idade Marcelo Augusto Diniz Cerqueira,o quarto lugar de Cyro Garcia é uma vitória política com os 4% de citações na Quaest, citações nitidamente ideológicas de esquerda, de uma esquerda mais radical como a do professor Eduardo Serra/PCB com seus 2% de citações.
Outro candidato, nitidamente antifisiológico, ideológico de direita é Paulo Ganime, também com uma faixa importante de votação pré-definida e também um homem desconhecido do conjunto do eleitorado. Mas Paulo Ganime, do partido Novo, tem problemas estruturais de campanha, na medida em que o Novo não joga o jogo eleitoral dentro das regras das campanha eleitorais e dos demais partidos – eles se recusam a usar o Fundo Eleitoral, eles se recusam a usar o Fundo Partidário, mas utilizam o tempo de TV e rádio na propaganda obrigatória, com uma inserção muito pequena, curta, ao mesmo tempo em que a maioria de suas/seus candidatas/os são todos muito ricos. É uma campanha dirigida para classe A da população fluminense e carioca.
Na Quaest de 18 de agosto Cláudio Castro se consolidou em primeiro lugar, marcando uma diferença importante na medida em que a campanha avança e Marcelo Freixo perde intenção de votos.
Porque, nesse momento, os votos passam a ser disputados por Cláudio Castro e/ou Rodrigo Neves.
Creio que a campanha de Rodrigo Neves é a única com possibilidade de mudança para melhor a partir deste retrato que foi feito entre os dias 12, 13, 14 e 15 de agosto de 2022 para o governo do estado e publicada no dia 18 de agosto.
Cláudio Castro pode avançar um pouco, mas a sensação é de que está imóvel, em primeiro lugar.
O candidato com mobilidade ascendente, que tende a superar Marcelo Freixo no segundo lugar até o 15 de setembro é Rodrigo Neves, que com sua reengenharia eleitoral com Eduardo Paes ganhou combustível eleitoral para efetivamente mudar de posição nos próximos retratos da série histórica da Quaest para o governo do estado do RJ.
*Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ.






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