Cláudio Castro, do PL, depende da omissão de Eduardo Paes, do PSD, para ganhar

*Paulo Baía. Estamos no final do mês de agosto, início do mês de setembro de 22. Estamos  na reta final da eleição de 2022, ao mesmo tempo nos atos iniciais, já que a pré-campanha não conta oficialmente. Teremos o início dos programas de rádio e televisão, todas as candidaturas colocam suas potências máximas ao logo…

*Paulo Baía.

Estamos no final do mês de agosto, início do mês de setembro de 22. Estamos  na reta final da eleição de 2022, ao mesmo tempo nos atos iniciais, já que a pré-campanha não conta oficialmente. Teremos o início dos programas de rádio e televisão, todas as candidaturas colocam suas potências máximas ao logo do mês de setembro, com força e todas vitalidade. Apresentam-se  de roupas absolutamente novas em todo o estado do Rio de Janeiro. 

A listagem de candidatos e candidatas apresentada para que o eleitor fluminense e carioca escolha o governador do Estado é grande, mas três nomes são efetivamente competitivos: Marcelo Freixo, Rodrigo Neves e Cláudio Castro, em um cenário em que 70% da população eleitoral dos 92 municípios do Estado do Rio de Janeiro ainda não possui candidato. Vão decidir, ao que tudo indica, até o dia 25 de setembro, oito dias antes do pleito.

A campanha de Cláudio Castro/PL é a campanha que tem o maior poder de sedução institucional, eleitoral e capacidade política de articular apoios nos 92 municípios, com prefeitos, vereadores, deputados estaduais, federais e os três senadores, além da legião de milhares de candidatos a deputado.

Marcelo Freixo/PSB tem o nome e sua história de vida conhecida e/ou distorcida – aliás muito distorcida por calúnias, mentiras e invenções – pela totalidade dos eleitores habilitados a votar no RJ. É conhecido por toda a população que reside no estado do Rio de Janeiro por ser um nome muito conhecido, com posições evidenciadas para o bem ou para o mal. isso não é tão bom, pois Marcelo Freixo, não tem uma máquina política eleitoral, um grupo político eleitoral, embora o Partido Socialista Brasileiro tenha  capilaridade e experiência em campanhas bem sucedidas para presidente da república, governador e para senador. O  fato é que Marcelo Freixo, parece-me, pelo que analiso em todas as pesquisas eleitorais, bateu no seu teto de aceitação, pois tendo o nome conhecido, universalmente conhecido por todos os eleitores cariocas e fluminenses, tem uma rejeição estabilizada, que o impede de avançar na conquista de novas adesões a sua candidatura. Temos então dois outros candidatos que são absolutamente desconhecidos da população: o atual governador Cláudio Castro, que as pessoas não sabem que é o governador do estado do RJ; e o ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, que a maioria das pessoas também não sabe quem é. Eles têm no final do mês de agosto, contudo, seus nomes bem pontuados em todas as pesquisas espontâneas e induzidas, com Cláudio Castro/PL em primeiro lugar, Marcelo Freixo/PSB em segundo lugar e Rodrigo Neves/PDT em terceiro lugar. Ressalto uma curiosidade, que na verdade é um fenômeno político de natureza ideológica e ativismo: as excelentes citações aos nomes dos professores Cyro Garcia/ PSTU e  Eduardo Serra/ PCB, da mesma maneira que o candidato Paulo Ganime/Novo também está bem colocado.

Descarto, de pronto, a possibilidade de que, faltando menos de 40 dias para o primeiro turno,  pouco tempo para uma campanha complexa por ser uma Eleição Geral, outros nomes apareçam como competitivos para o primeiro e o segundo lugar, como na eleição atípica e desruptiva de 2018.

Cláudio Castro, Marcelo Freixo e Rodrigo Neves são o trio que disputa as duas primeiras vagas.

Com essa perspectiva, procuro enfatizar que Cláudio Castro/PL estará em primeiro lugar, será o primeiro colocado no dia 2 de outubro de 2022, como indicam todas as pesquisas de institutos diferentes. As novas pesquisas, até o dia 25 de setembro, mostrarão novos retratos de cada momento, a par e passo com a desenvoltura de cada uma das campanhas, que estarão nas ruas, praças e nos territórios cibernéticos em total potencialidade. Creio que nesse final do mês de agosto e início do mês de setembro a vaga que  está em disputa é a do segundo lugar, entre Marcelo Freixo e Rodrigo Neves. A  meu ver Freixo está no seu teto. Rodrigo Neves, um bom gestor, está com o caminho aberto para crescimento, pode chegar perto e ultrapassar Marcelo Freixo. Para tal, é dependente do ativismo real e não retórico de  Eduardo Paes/PSD, prefeito da cidade do Rio de Janeiro, que tem influência direta em 25% dos eleitores da cidade maravilhosa e de 10% dos eleitores nos demais 91 municipios do RJ. Se o apoio de Eduardo Paes não for de “corpo mole”,  “folclórico”, não for um apoio “para inglês ver”, for uma ação efetiva de dedicação política e eleitoral, Rodrigo Neves, com o capital político próprio que possui em Niterói/São Gonçalo/Itaboraí, pode chegar em segundo lugar no dia 02 de outubro.

Rodrigo Neves também depende do apoio explícito do deputado André Ceciliano na Baixada Fluminense.

Mas o mais significativo seria, pois ainda não é, o apoio intensivo com foco na Cidade do Rio de Janeiro, que concentra grande parte do eleitorado – quase 40% do eleitorado carioca e fluminense – de Eduardo Paes/PSD.

Rodrigo Neves é um nome com potencial competitivo e possui habilidades para chegar em segundo lugar, mas é dependente dos humores e afetos de Eduardo Paes, Washington Quaquá e André Ceciliano.

Rodrigo Neves, entretanto, enfrenta o risco, aparentemente, pelo menos nos rumores dos bastidores, de que Eduardo Paes nada faça, efetivamente, por sua candidatura. Que Eduardo Paes não esteja, de fato, levando a campanha de Rodrigo Neves à frente, mesmo depois do “Gambito Rainha”, do “Roque de Rainha” ao retirar Felipe Santa Cruz como titular ao governo do Rio de Janeiro e colocá-lo como vice de Rodrigo Neves.

Rodrigo Neves não aumentará seus patamares de citações de votos nas diversas pesquisas, nem passará a ser uma opção, se o eleitorado de Eduardo Paes efetivamente não entrar em sua campanha, se Eduardo Paes apenas declarar apoio formalmente, como já o fez, mas não entrar na campanha de Rodrigo Neves de “corpo e alma”.

Nesse caso os sonhos e desejos de Cláudio Castro serão realizados.

Cláudio Castro continuará governador do Rio de Janeiro até 31 de dezembro de 2026.

* Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ.

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