*Paulo Baía
O debate promovido no dia 27 de setembro pela Rede Globo de Televisão com os candidatos a governador nos 26 estados e Distrito Federal tem no estado do Rio de Janeiro uma situação no mínimo paradoxal. O debate tinha tudo para ser um debate quente, um debate propositivo, um debate para que os candidatos, um contra o outro, se afirmassem individualmente, se descolassem de seus patamares de intenções de votos indicados nas pesquisas da Quaest e do IPEC.
O que aconteceu foi um debate morno, sem graça, chegando a ser chato de acompanhar, em que Cláudio Castro/PL, Marcelo Freixo/PSB, Rodrigo Neves/PDT e Paulo Ganime/Novo
permaneceram nas mesmas posições em que as pesquisas do IPEC e do Quaest, no dia 26 indicaram.
Um debate na televisão faltando quatro dias para a eleição tinha tudo para buscar uma reviravolta no cenário eleitoral, mas isso não aconteceu. Pelo contrário, o debate consolidou as posições de cada um dos quatro candidatos, Claudio Castro, Marcelo Freixo, Rodrigo Neves e Paulo Ganime nos mesmas posições. Foi uma perda de tempo cansativa para quem teve paciência de ouvir as mesmas estratégias de Marcelo Freixo em relação a Cláudio Castro, Rodrigo Neves em relação a Marcelo Freixo e Paulo Ganime como se estivesse no Domingão do Luciano Huck.
Cláudio Castro serenamente respondeu a todas as acusações de corrupção de seu governo e dos governos de Sérgio Cabral e Wilson Witzel.
Aconteceu no meu perceber uma dobradinha de “chumbo trocado não dói” entre Cláudio Castro e Rodrigo Neves contra Marcelo Freixo.
Falou- se de propostas de gestão. Todos os quatro candidatos falaram de suas propostas, o que facilitou mais ainda a posição de Cláudio Castro, que tinha o que apresentar de seus dois anos como governador.
Absolutamente deslocado do debate, Paulo Ganime falou de suas propostas como se o mundo não existisse.
Nesse contexto, podemos dizer que o debate terminou empatado.
Como Cláudio Castro respondeu com serenidade a todas as perguntas, mesmo a mais delicadas como as ligadas à segurança pública, ao delegado Alan Turnovisk, aos governos Sérgio Cabral e Wilson Witzel, ficou na mesma posição do início do debate, na posição indicada pelo IPEC e Quaest.
Cláudio Castro se apresentou como um bom gestor de crises governamentais e não foi efetivamente constestado pelos demais.
Marcelo Freixo foi um bom deputado, sem apresentar as condições de ser um bom gestor, um governador.
Rodrigo Neves passou a ideia de ser um bom gestor, atacando Marcelo Freixo e poupando Cláudio Castro, mas não teve sucesso em suas investidas, na medida em que Marcelo Freixo respondia com muita habilidade.
Os quatro candidatos se firmaram em suas posições. Assim, é impossível desvincular o impacto do debate na Rede Globo de Televisão dos resultados das pesquisas do IPEC e do Quaest publicadas no dia 26 de setembro, com o debate que acontecendo no final da noite do dia 27 de setembro.
Ao fim e ao cabo, o debate confirmou o favoritismo de Cláudio Castro/PL, que amplia sua vantagem a cada dia sobre Marcelo Freixo, que permanece estacionado, com uma leve tendência de queda.
Freixo está com regularidade estacionado nos 25% de intenções de voto do IPEC e do Quaest, seguido de longe por Rodrigo Neves, que consolidou sua posição em terceiro lugar na faixa entre 7 e 9% de intenções de votos e Paulo Ganime/Novo vai ficar junto com os demais candidatos que não estavam no debate por serem de partidos que não possuem a representação mínima no Congresso Nacional, na Câmara dos Deputados.
O debate foi longo e chato, mas houve proposições de governo, não houve embate político para valer.
Com esse cenário, com proposições quase iguais, sem embate político, vale a campanha eleitoral do rádio e da televisão, que está terminando.
Assim, Cláudio Castro leva vantagem em um debate que é morno e empatado, quem ganha é Cláudio Castro. Portanto a noite foi de Cláudio Castro, não por um desempenho deslumbrante e sim pela posição morna de Marcelo Freixo, Rodrigo Neves e Paulo Ganime.
O debate da Rede Globo de Televisão consolidou o favoritismo de Cláudio Castro.
Creio que um debate entre as candidaturas ao senado teria sido mais vibrante.
Ter Clarissa Garotinho/UB, Alessandro Molon/PSB, Romário/PL e André Ceciliano/PT frente a frente traria um debate político e de gestão pública.
Com certeza teremos um segundo turno entre Marcelo Freixo e Cláudio Castro, com uma probabilidade muito baixa de vitória no primeiro turno de Cláudio Castro.
É uma possibilidade muito pequena, mas existe nesses poucos dias que antecedem o dia 02 de outubro de 2022.
*Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ





