*Paulo Baía
O destaque político do dia 17/09, sábado, não foi o debate do SBT – em consórcio com Veja, Terra, Rádio Nova Brasil FM e Estadão – com os candidatos a governador do RJ. Debate em que Marcelo Freixo/PSB, Rodrigo Neves/PDT e Cláudio Castro/PL se saíram muito bem. Os três estavam bem preparados, treinados e afinados com suas próprias campanhas, no bate rebate ágil que a linguagem de TVs exige.
Cláudio Castro, com bom desempenho, surpreendeu a todos ao responder todas as perguntas com segurança, com lastro empírico, sinceridade e coragem.
A estratégia traçada por Marcelo Freixo e Rodrigo Neves, que claramente combinaram perguntas e formaram uma dobradinha, uma dupla de área de ataque a Cláudio Castro para emparedá-lo, não deu certo.
A estratégia não apenas não deu certo, pelo contrário, a estratégia de Freixo/PSB e Rodrigo Neves/PDT ajudou Cláudio Castro/PL em sua performance e o fortaleceu.
Cláudio Castro usou uma estratégia de se apresentar de peito aberto, de maneira propositiva, não fugiu do debate político, por mais espinhosas que fossem as situações e os temas.
O candidato do Novo, Paulo Ganime, serviu de escada ora para Marcelo Freixo ora para Rodrigo Neves, ajudou a consolidar a vantagem de Cláudio Castro em cena.
O fato é que a duas semanas da eleição, o debate da SBT e consórcio não teve o efeito que Marcelo Freixo esperava, não foi capaz, de catapultar Freixo para uma diferença menor em relação a Cláudio Castro.
Teremos segundo turno com certeza, a eleição será disputada por Cláudio Castro e Marcelo Freixo. Cláudio Castro, longe de parecer tímido, longe de parecer acuado pelas diversas situações de denúncias a ele e a seu governo, colocou-se de forma extremamente hábil e firme em todas as questões, todas, sem exceção, junto com a apresentação de um programa de governo para o RJ, programa de gestão que também foi apresentado por Marcelo Freixo e Rodrigo Neves.
Podemos dizer que o debate terminou empatado. Ao terminar empatado, quem ganhou foi Cláudio Castro.
No início do artigo falei que o principal fato político do sábado, dia 17/09 não foi o debate de governadores do SBT. O fato político relevante e de significado eleitoral no sábado, dia 17 de setembro, aconteceu na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, região fundamental para a decisão das eleições na cidade do Rio de Janeiro, cidade que concentra perto 50% do eleitorado do estado do RJ. O fato foi a declaração firme, contundente, vibrante do prefeito da cidade Eduardo Paes/PSD ao declarar voto e apoio ao candidato ao senado André Ceciliano/PT. Não foi apenas uma declaração formal de voto, foi um engajamento público na campanha protagonizado pelo prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes na campanha de André Ceciliano ao senado. O evento é um diferencial de máxima importância nesta reta final de campanha, faltando duas semanas para a eleição, com as pesquisas indicando a liderança para o senado de Romário/PL, seguindo de Alessandro Molon/PSB e Clarissa Garotinho/União Brasil.
Creio que a eleição para o senado está se afunilando entre Romário e Clarissa Garotinho, apoiados por Jair Bolsonaro/PL e André Ceciliano, apoiado por Lula/PT.
Assim, o fato do prefeito da maior cidade do estado do Rio de Janeiro, com a popularidade que tem, como a liderança que tem, com o carisma político que tem, se engajar na campanha de rua a favor de André Ceciliano é o grande fato diferencial da eleição no Rio de Janeiro a duas semanas de sua realização, diferencial que tem como consequência também um apoio à campanha de Lula da Silva para presidente, na medida em que Eduardo Paes, com seu movimento na direção de André Ceciliano, também faz um movimento pró Lula, em um estado da federação como o Rio de Janeiro, em que Lula e Bolsonaro estão rigorosamente empatados na região metropolitana, que concentra 75% do eleitorado fluminense e carioca.
Começamos essas duas semanas que faltam para o pleito do dia 2 de outubro com esta significativa novidade de agitação e propaganda política, Eduardo Paes está nas ruas apoiando André Ceciliano para o senado.
*Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ





