Ciro Nogueira troca defesa após operação da PF no caso Banco Master

Senador reavalia estratégia jurídica e política enquanto investigação avança no STF

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) decidiu substituir sua equipe de defesa no caso envolvendo o Banco Master poucos dias após ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal. A saída do escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados foi confirmada em nota assinada pelo criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

“O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso”, diz o comunicado. Nos bastidores, aliados afirmam que a decisão partiu do próprio senador, em meio a uma revisão mais ampla da estratégia jurídica e política, informa O Globo.

Ciro escolheu o advogado Conrado Gontijo para assumir sua defesa. Gontijo é afilhado de Kakay e mantém relação próxima com o agora ex-defensor do senador, informa O Globo.

Reorganização após avanço da investigação

A mudança ocorre após o avanço da investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Polícia Federal, Ciro é apontado como possível “destinatário central” de vantagens indevidas supostamente pagas por pessoas ligadas ao Banco Master.

Interlocutores próximos indicam que a troca de defesa faz parte de uma tentativa de recalibrar a condução do caso diante de possíveis novos desdobramentos, especialmente envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição.

Impacto político e cenários para 2026

Paralelamente, aliados discutem alternativas eleitorais para 2026. Uma das possibilidades em avaliação é a candidatura à Câmara dos Deputados, em vez da tentativa de reeleição ao Senado. A mudança poderia garantir a manutenção do foro privilegiado no STF, caso seja eleito.

Entre pessoas próximas, a avaliação é que o desgaste provocado pelas acusações pode afetar as chances eleitorais de Ciro. Além disso, a permanência do caso no Supremo é vista como um cenário mais previsível do ponto de vista político do que eventual tramitação em instâncias inferiores.

Reação e cautela no Centrão

A operação da PF teve forte repercussão no entorno do senador. No dia da ação, Ciro permaneceu em sua residência, em Brasília, e recebeu ligações e visitas de aliados, incluindo parlamentares do PP. Apesar do apoio interno, lideranças do Centrão passaram a adotar cautela pública, evitando associação direta ao caso.

Em manifestação nas redes sociais, o senador afirmou que há uma tentativa de “manchar” sua honra e classificou a investigação como perseguição política. Ele também indicou que pretende continuar na vida pública.

A apuração envolve suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro. Entre os elementos citados pela PF está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que, segundo investigadores, teria sido elaborada dentro do próprio banco.

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