A defesa do senador Ciro Nogueira afirmou nesta quinta-feira que o parlamentar não participou de qualquer atividade ilícita investigada na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.
O senador foi um dos alvos da operação, que apura suspeitas de repasses de vantagens indevidas e lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o Banco Master. Durante a ação, agentes da PF cumpriram mandado de busca e apreensão em um endereço ligado ao senador em Brasília.
Em nota divulgada após a operação, os advogados de Ciro Nogueira disseram que ele está à disposição da Justiça para colaborar com as investigações e prestar esclarecimentos.
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”, afirma o comunicado.
A defesa acrescenta ainda que o senador pretende contribuir com a apuração dos fatos.
“Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.”
Operação mira supostas vantagens indevidas
A nova etapa da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e envolve o cumprimento de um mandado de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
Além de Ciro Nogueira, o irmão do senador, Raimundo Nogueira, também foi alvo das buscas realizadas pela Polícia Federal.
Segundo decisão do STF obtida pela jornalista Ana Flor, a PF “aponta a identificação da suposta conduta do senador em favor do banqueiro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”.
De acordo com as informações divulgadas, o núcleo relacionado ao senador seria um dos que apresentavam maior quantidade de indícios a serem investigados dentro da operação.
A investigação também teve como alvo Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro. Conforme informou a jornalista Camila Bomfim em seu blog no g1, ele foi preso temporariamente em Minas Gerais nesta quinta-feira.
A decisão judicial autorizou ainda o bloqueio de bens, direitos e valores que somam R$ 18,85 milhões.
Defesa critica medidas da investigação
Na nota divulgada após a operação, os advogados do senador também questionaram os fundamentos utilizados para justificar algumas medidas cautelares autorizadas pela investigação.
Segundo a defesa, ações consideradas “graves e invasivas” teriam sido adotadas a partir de trocas de mensagens atribuídas a terceiros.
“Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.”
O comunicado é assinado pelos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França, do escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados.
Investigação segue sob sigilo
A Operação Compliance Zero aprofunda investigações sobre supostas relações financeiras e vantagens indevidas envolvendo agentes políticos e integrantes do sistema financeiro.
Até o momento, o Supremo Tribunal Federal não divulgou detalhes adicionais sobre o conteúdo integral das investigações nem sobre eventuais desdobramentos envolvendo outros investigados.
O caso segue sob acompanhamento da Polícia Federal e do STF.






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