O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel entrou no quarto dia nesta quinta-feira (28), no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio.
A sessão foi retomada por volta das 10h30 e deve ouvir mulheres que tiveram relacionamento com Jairinho e relataram episódios de violência atribuídos ao ex-parlamentar antes da morte de Henry, ocorrida em março de 2021.
Entre as testemunhas previstas para esta etapa do júri estão Kaylane, ex-enteada de Jairinho que afirma ter sido vítima de agressões, além das ex-namoradas Natashi e Débora. Uma quarta testemunha identificada como Leila também deverá prestar depoimento ao Conselho de Sentença.
A banca de defesa de Jairinho voltou a contar nesta quinta com a presença do advogado principal do ex-vereador, que havia se afastado após sofrer um infarto nos dias anteriores ao início do julgamento.
Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo e fraude processual. Segundo o Ministério Público, Henry foi submetido a agressões dentro do apartamento onde vivia com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
A denúncia sustenta que Jairinho foi o responsável pelas agressões que provocaram 23 lesões e a morte da criança, enquanto Monique teria se omitido diante das violências para preservar o relacionamento com o então vereador.
Terceiro dia foi marcado por embates
O terceiro dia do julgamento, encerrado na noite desta quarta-feira (27), foi marcado por embates entre acusação e defesa, discussões técnicas e depoimentos considerados centrais pela investigação.
Uma das principais testemunhas ouvidas foi o psiquiatra Rafael Bernardon, que afirmou ter percebido em Jairinho um comportamento que indicaria “prazer em infligir dor” em crianças. A declaração provocou reação imediata da defesa do ex-vereador, que contestou a legitimidade da avaliação e classificou a manifestação como “impressão pessoal”.
As discussões levaram a juíza Elizabeth Machado Louro a interromper os debates em alguns momentos.
“Se ficar discutindo o sexo dos anjos, esse julgamento não termina”, afirmou a magistrada durante a sessão.
Ainda nesta quarta, a defesa de Jairinho conseguiu duas decisões favoráveis no Tribunal de Justiça do Rio. Uma delas autorizou o depoimento de uma testemunha barrada anteriormente pela juíza do caso. Outra determinou que o interrogatório do ex-vereador ocorra apenas após o depoimento de Monique Medeiros.
Médica detalhou atendimento a Henry
Também no terceiro dia de julgamento, a médica Maria Cristina Souza Azevedo, responsável pelo atendimento de Henry no Hospital Barra D’Or, afirmou que o menino já chegou à unidade sem sinais de vida.
Segundo a testemunha, a equipe médica realizou manobras de reanimação por cerca de duas horas, sem sucesso.
A médica relatou ainda que Henry apresentava marcas roxas no tórax, abdômen, punhos e coxas. Ela também afirmou que Monique aparentava estar em choque após a confirmação da morte do filho.
“Ela estava em estado de choque, parecia não acreditar”, declarou.
Durante o depoimento, a acusação exibiu um vídeo de Henry dançando na casa do pai, Leniel Borel, na véspera da morte. Monique chorou no plenário ao assistir às imagens.
Julgamento pode durar mais de uma semana
O julgamento é conduzido pela juíza Elizabeth Machado Louro e pode se estender por até dez dias. O destino dos réus será decidido por sete jurados.
Caso haja condenação com pena superior a 15 anos, a Justiça poderá determinar a prisão imediata dos acusados ainda no plenário do tribunal.





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