O ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, preso desde agosto de 2025 sob acusação de liderar um esquema bilionário de corrupção na Secretaria da Fazenda de São Paulo, abriu uma nova frente de embate contra o Ministério Público paulista ao acusar promotores de abandonarem um acordo de delação premiada e utilizarem posteriormente informações fornecidas por ele em novas operações.
As acusações aparecem em uma carta enviada ao advogado Júlio Cesar Baccalini no fim de abril. No documento, o ex-servidor afirma que participou de negociações para colaboração premiada e chegou a produzir dezenas de anexos detalhando empresas e auditores fiscais supostamente envolvidos no esquema investigado.
Segundo Artur Neto, o acordo previa pagamento de uma multa de R$ 15 milhões como parte das tratativas. O Ministério Público de São Paulo nega irregularidades e afirma que o investigado omitiu informações relevantes durante as negociações.
Carta amplia crise
Na carta enviada à defesa, Artur Neto relata dificuldades psicológicas enfrentadas durante o período de prisão, incluindo depressão e ansiedade.
O ex-auditor afirma que os anexos da suposta delação foram produzidos em meio a forte pressão psicológica e em condições que classificou como desumanas.
Segundo ele, as negociações envolveram pressão dos promotores responsáveis pelas tratativas.
Artur Neto também afirma que foi assinado um termo de confidencialidade que, segundo ele, não teria sido respeitado ao longo das investigações.
O documento menciona a elaboração de 33 anexos contendo informações sobre empresas e servidores públicos ligados ao suposto esquema de corrupção.
Acusação contra o MP
Em outro trecho da carta, o ex-auditor afirma que diversos assuntos presentes na colaboração passaram posteriormente a aparecer em operações e reportagens divulgadas publicamente.
Ele questiona como detalhes sigilosos teriam chegado à imprensa e sugere vazamentos relacionados ao material entregue durante as negociações da delação.
Segundo a defesa, os anexos permaneceram sob posse das autoridades enquanto Artur Neto continuou preso.
O pedido de liberdade apresentado pelos advogados do ex-auditor acabou negado pela Justiça.
Promotoria rebate
O promotor Roberto Bodini, um dos integrantes do Ministério Público que participaram das negociações, rebateu as acusações.
Em nota, Bodini afirmou que as tratativas ocorreram dentro da legalidade, com boa-fé e observância do sigilo previsto em lei.
Segundo o promotor, o acordo não foi formalizado porque Artur Neto teria faltado com a verdade, ocultado fatos criminosos relevantes e se recusado a esclarecer pontos considerados essenciais para a conclusão da colaboração.
O Ministério Público afirma que o investigado omitiu movimentações milionárias identificadas durante as investigações.
Valores milionários
Entre os pontos destacados pelo Ministério Público estão a suposta ocultação de mais de R$ 152 milhões recebidos ao longo de 2025 e transferências de cerca de R$ 30 milhões para a mãe do ex-auditor sem justificativa considerada plausível pelos investigadores.
A Promotoria também questiona uma alegada doação de R$ 130 milhões para um “centro espiritual”, apontada por Artur Neto sem apresentação de comprovação documental.
Segundo o MP paulista, as investigações ainda identificaram que o ex-auditor possuiria mais de R$ 100 milhões em bitcoins.
Operação Ícaro
O nome de Artur Gomes da Silva Neto passou a ganhar destaque após operações do Ministério Público de São Paulo envolvendo suspeitas de corrupção dentro da estrutura tributária estadual.
As investigações apontam para um suposto esquema bilionário de favorecimento e corrupção envolvendo agentes públicos e empresas privadas.
Durante uma das operações, chamada Operação Ícaro, investigadores apreenderam bens e materiais atribuídos ao ex-auditor, incluindo sacos de esmeraldas.
Defesa insiste
A defesa de Artur Neto afirma que o Ministério Público se beneficiou das informações entregues durante as negociações de colaboração premiada, mesmo sem formalizar o acordo.
Os advogados também sustentam que o investigado colaborou com as autoridades e que parte dos fatos revelados por ele passou a ser utilizada em operações posteriores.





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