Casarões históricos no Cosme Velho estão em ruínas e geram preocupação no bairro

Casos de abandono de imóveis icônicos refletem falta de cuidado do poder público e herdeiros, enquanto iniciativas privadas ganham destaque

O bairro do Cosme Velho, conhecido por sua tranquilidade e casarões históricos, enfrenta uma situação alarmante: muitos dos imóveis que foram lar de personalidades ilustres estão em ruínas, oferecendo riscos à segurança e ao patrimônio cultural. Entre as construções mais afetadas estão a mansão de Candido Portinari, o Solar dos Abacaxis e outros casarões de valor histórico que, apesar de tombados, não recebem a devida atenção para conservação.

A casa de Portinari, localizada na Rua Cosme Velho, número 353, foi um dos maiores estúdios do pintor brasileiro, mas atualmente se encontra deteriorada. A fachada da casa foi cercada com tapumes de madeira para alertar os pedestres sobre o risco de desabamento. A deterioração da propriedade é tamanha que, em 2010, João Candido Portinari, filho do artista, iniciou esforços para transformar a residência em um museu, mas não conseguiu os recursos necessários para a restauração. O imóvel está atualmente à venda por R$ 2 milhões. Segundo Claudio Castro, diretor da imobiliária responsável pela venda, “a procura por casarões precisando de obras está pequena. Muitas pessoas desistem ao cotar o valor da reforma.”

Além disso, o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), que tombou o imóvel a pedido da família, informou que o proprietário deve realizar a restauração e manter o imóvel. Em resposta, a Viva Cosme Velho, associação de moradores do bairro, mapeou imóveis em risco e entregou um relatório à Defesa Civil, alertando sobre os riscos de “infiltrações, esquadrias danificadas e telhados podendo ruir”.

Os moradores, como a engenheira Luciana Falcão, destacam que as calçadas estreitas aumentam os riscos, já que qualquer queda de muro ou peça solta pode atingir quem passa. “As calçadas no Cosme Velho são muito estreitas. Qualquer queda de muro, qualquer peça solta pode atingir quem passa pelo local”, afirma.

Em contraste com esses casarões em estado de abandono, dois imóveis na região passaram por reformas e agora abrigam centros culturais. O Grupo Iter, responsável pelo Parque Bondinho do Pão de Açúcar, transformou os imóveis no número 561 e na esquina da Rua Smith de Vasconcelos, melhorando a paisagem local.

Outro exemplo positivo é a revitalização do Largo do Boticário, que, após anos de abandono, foi adquirido pela rede de hotéis Accor em 2018 e transformado em um espaço cultural e de lazer, mantendo as características históricas das construções.

No entanto, o Solar dos Abacaxis, que foi lar de Anna Amélia de Queiroz e Marcos Carneiro de Mendonça, se deteriora e se torna um ponto de atração para rumores e mistérios. “Dizem que um piano toca sozinho quando alguém entra aí”, conta um estudante local.

O cenário de abandono no Cosme Velho é um reflexo da falta de ação do poder público e dos herdeiros dos imóveis. A legislação de recuperação da região, sancionada em 2021, ainda não obteve sucesso. O vereador Pedro Duarte (Novo) afirma: “A ideia é atualizar a legislação, tornando essa recuperação mais atrativa.”

Com informações do Extra.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading