Casarões históricos do Centro do Rio, há décadas tomados pelo abandono, desabamentos e ocupações ilegais, podem finalmente ganhar uma nova chance. A Prefeitura do Rio lança nesta quinta-feira (15) o programa Reviver Centro Patrimônio Pró-APAC, voltado para a recuperação desses imóveis emblemáticos por meio de parcerias com a iniciativa privada.
Segundo matéria publicada pelo jornal O Globo, a ação tem como foco principal os imóveis localizados nas chamadas Áreas de Proteção do Ambiente Cultural (APACs) — zonas reconhecidas por seu valor histórico e cultural. Para tornar viável a reforma dos casarões, o programa prevê mecanismos legais como a desapropriação por hasta pública e a redistribuição fundiária. A meta é clara: transformar o que hoje são ruínas em habitações e novos espaços urbanos de uso misto.
De acordo com o prefeito Eduardo Paes, o município irá identificar os principais corredores que receberão investimentos. Após a desapropriação, a prefeitura pretende repassar aos investidores privados um valor por metro quadrado, a fundo perdido, para viabilizar as obras. A prioridade será dada à conversão dos imóveis em moradias, revitalizando o Centro com uso residencial — uma das maiores demandas para a região.
O anúncio do plano vem na esteira de dois trágicos desabamentos recentes que acenderam o alerta sobre o estado crítico do patrimônio arquitetônico carioca: um sobrado desmoronou na esquina das ruas Senador Pompeu e Visconde da Gávea, matando um homem, e outro imóvel caiu na Avenida Mem de Sá, na Lapa.
Além do risco estrutural, muitos desses casarões históricos — como os que abrigaram a icônica boate Asa Branca e a Pizzaria Guanabara — vêm sendo invadidos e, segundo investigações, estariam sendo utilizados por organizações criminosas, como o Comando Vermelho. A Justiça chegou a determinar a reintegração de posse de alguns desses imóveis, mas, segundo os proprietários, as decisões ainda não foram executadas.
Com o Reviver Centro Patrimônio Pró-APAC, a Prefeitura aposta na força da legislação urbana e do setor privado para resgatar o valor histórico e social de um dos bairros mais simbólicos do Rio de Janeiro. Se bem-sucedido, o plano pode transformar o Centro em um exemplo de revitalização cultural e urbana para o Brasil.





