Governador em exercício conta como aproximação com Lula ajudou a aliviar dívida do Estado do Rio

Governador em exercício afirma que presidente recebeu rapidamente o pedido de renegociação da dívida estadual e diz que acordo reduziu parcelas mensais e o custo total do débito com a União

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, afirmou que manteve uma relação direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para renegociar a dívida do Estado com a União. Em entrevista à revista Veja, o magistrado relatou detalhes da conversa e disse que o encontro resultou em condições consideradas mais favoráveis para as finanças estaduais.

Segundo Couto, Lula o recebeu prontamente para discutir o tema, algo que, segundo o governador, não ocorria havia muitos anos. Durante a conversa, o presidente teria comentado que a última negociação semelhante com um governador fluminense havia acontecido ainda na gestão de Sérgio Cabral.

De acordo com o governador em exercício, a renegociação reduziu as parcelas mensais da dívida de aproximadamente R$ 480 milhões para R$ 120 milhões. Além disso, o Estado realizou um aporte correspondente a 20% do saldo devedor, o que eliminou a incidência de juros prevista no acordo.

Na avaliação de Ricardo Couto, a medida poderá representar uma redução de aproximadamente R$ 40 bilhões no custo total da dívida estadual ao longo dos próximos anos.

Durante a entrevista, Couto afirmou que sua atuação ocorreu de forma institucional e ressaltou que exerce o cargo de governador exclusivamente por força da Constituição. Segundo ele, o fato de não disputar eleições lhe dá liberdade para negociar medidas consideradas necessárias para o Estado, sem preocupação com interesses partidários ou eleitorais.

O governador também relacionou o equilíbrio das contas públicas às auditorias realizadas em contratos, à revisão de despesas e ao enxugamento da máquina administrativa. Segundo ele, essas medidas, somadas à renegociação da dívida com a União, sustentam sua projeção de transformar um déficit inicialmente estimado em R$ 19 bilhões em um cenário de superávit.

Ao longo da conversa com a revista, Couto reafirmou que não pretende ingressar na política partidária após deixar o Palácio Guanabara e declarou que seu compromisso é concluir o período de interinidade previsto constitucionalmente.

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