Caneta de Ricardo Couto chega a quase dois mil cortes e reformula estrutura do Governo do Estado

As exonerações no governo interino do Rio de Janeiro, conduzidas por Ricardo Couto, atingiram áreas etratégicas da máquina pública / Arquivo

O governo interino do Rio de Janeiro, comandado interinamente por Ricardo Couto, entrou em uma fase de reestruturação profunda da máquina pública estadual e já se aproxima da marca de 2 mil exonerações acumuladas em pouco mais de um mês de gestão, considerando cargos comissionados, funções de confiança, estruturas intermediárias e parte do alto escalão do Executivo.

O volume de mudanças indica um processo de reorganização que atinge simultaneamente o núcleo político-administrativo do governo e órgãos operacionais estratégicos.

No primeiro escalão, a reconfiguração começou pela área econômica, com a nomeação do economista Guilherme Mercês para a Secretaria de Estado de Fazenda. Mercês, que já havia ocupado a pasta anteriormente, retorna com a missão de conduzir um ajuste fiscal mais rígido, revisar a arrecadação e ampliar o controle sobre despesas públicas. A escolha reforça o perfil técnico adotado pelo governo na condução da política econômica.

Mercês retornou ao cargo que já havia ocupado ne gestão de Wilson Witzel / Arquivo

Na Secretaria de Planejamento e Gestão, o comando passou a ser exercido por Rafael Abreu, servidor de carreira com experiência em orçamento público e formulação de políticas administrativas. Sua nomeação está diretamente ligada ao esforço de reorganização estrutural do Estado e à revisão de contratos e fluxos de despesa.

Na área jurídica, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RJ) voltou a ser chefiada por Bruno Dubeux, procurador de carreira com histórico em governança institucional e gestão jurídica do setor público. Sua recondução é vista como estratégica para dar sustentação legal ao conjunto de medidas de reestruturação em andamento.

No campo ambiental, a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade passou por mudança com a exoneração de Diego Faro e a nomeação do procurador Rodrigo Tostes de Alencar Mascarenhas. Com trajetória na área de direito público e ambiental, Tostes assume a pasta em meio à revisão de políticas de licenciamento, fiscalização e gestão de recursos naturais, dentro de uma lógica de maior centralização técnica.

enato Jordão deixou a presidência do Inea / Reprodução

Uma das mudanças mais sensíveis ocorreu na área da saúde, com a nomeação do médico Ronaldo Damião para a Secretaria de Estado de Saúde. Professor da Uerj e ex-diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, ele assume com perfil acadêmico e técnico, substituindo uma gestão anterior marcada por forte influência política. A mudança se refletiu também na Fundação Saúde, que teve seu comando alterado para alinhar a administração das unidades hospitalares ao novo titular da pasta.

Ronaldo Damião foi o escolhido por Ricardo Couto para comandar a Saúde / Arquivo

No campo da infraestrutura administrativa, o governo também promoveu a troca no comando do Detran-RJ, formalizada por publicação no Diário Oficial, dentro de um processo de revisão de órgãos vinculados e serviços públicos de atendimento direto à população.

Já no sistema ambiental, além da mudança na secretaria, o Inea (Instituto Estadual do Ambiente) passou por uma reestruturação mais ampla. O órgão teve troca de comando e reorganização interna em áreas estratégicas como licenciamento ambiental, fiscalização e planejamento hídrico.

Outras áreas afetadas

As mudanças afetaram também áreas estratégicas como o Rioprevidência, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e a Subsecretaria de Comunicação Social. Uma das alterações foi a saída, a pedido, de Igor Marques da Subsecretaria de Comunicação Social e Publicidade. Responsável pela condução da imagem institucional do governo nos últimos cinco anos, ele já havia anunciado a decisão anteriormente. Até o momento, o cargo segue sem substituto definido.

O Rioprevidência também passou por reformulação na sua cúpula. Luana Abreu dos Santos Lourenço foi nomeada como nova diretora de Administração e Finanças do fundo, substituindo Nicholas Cardoso. Ele ocupava interinamente a presidência da autarquia até meados de abril, quando foi exonerado após se tornar alvo de investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

A estrutura da Polícia Militar também foi alvo de mudanças relevantes. A Corregedoria-Geral da corporação passa a ser comandada por Marcelo Ramos do Carmo. Além disso, foram feitas nomeações para áreas estratégicas da instituição, como inteligência e gestão de pessoas.

Entre os novos nomes estão Walter Teixeira da Silva Junior, que assume a Subsecretaria de Inteligência, e Alessandro Oliveira Viana, designado para a Subsecretaria de Gestão de Pessoas. Diferentemente das demais mudanças, essas nomeações na área de segurança têm efeitos retroativos ao mês de março.

Mudanças se espalham por várias secretarias

Além do Inea, a movimentação também alcançou outros setores do governo. Na Casa Civil, o subsecretário de Concessões e Parcerias, Cássio Nogueira de Castro, deixou o cargo a pedido. Situação semelhante ocorreu na Secretaria de Desenvolvimento Social, com a saída voluntária da assessora especial Michele Rosa Zanardi Coelho.

Na área da Educação, foi registrada vacância na Superintendência de Inovação Digital, enquanto na Secretaria de Fazenda houve exoneração de Bernardo Ribeiro Tarabini Castellani da Chefia de Gabinete. As mudanças demonstram que a reorganização administrativa não se restringe a uma única pasta, mas ocorre de forma transversal.

Nomeações e ajustes operacionais

No Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado (Proderj), o governo designou Joacy Reis de Oliveira para responder interinamente pelo expediente do órgão até o dia 13 de maio. A medida busca garantir a continuidade dos serviços enquanto a estrutura administrativa passa por ajustes.

O governo interino sustenta que o conjunto de medidas integra um “choque de gestão” voltado à revisão de gastos, auditoria de contratos e modernização da máquina pública. No entanto, a dimensão e a velocidade das mudanças — que atingem simultaneamente secretarias centrais, autarquias e fundações — indicam um redesenho estrutural profundo do Executivo estadual.

O dado mais marcante desse processo é o volume acumulado: as exonerações já se aproximam de 2 mil servidores desligados, o que coloca a atual gestão interina entre as mais intensas ondas de reestruturação administrativa recentes no estado do Rio de Janeiro.

No campo político, analistas avaliam que o movimento não se limita à eficiência administrativa. A substituição simultânea de comandos em áreas estratégicas indica também uma reconfiguração do centro decisório do governo, com redução de estruturas herdadas de gestões anteriores e fortalecimento de um núcleo técnico mais centralizado.

Com o ritmo atual mantido, novas mudanças são consideradas prováveis tanto no segundo escalão quanto em órgãos vinculados, o que pode ampliar ainda mais o impacto da reestruturação em curso no governo interino do Rio de Janeiro.

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