A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) vai propor à Polícia Civil a abertura de uma investigação sobre as supostas ameaças de morte sofridas pela vereadora de Teresópolis Professora Amanda (Republicanos).
A informação foi anunciada pelo presidente da Casa, Douglas Ruas (PL), durante a sessão desta quarta-feira (13), após denúncias apresentadas pela deputada Tia Ju (Republicanos), coordenadora da Procuradoria da Mulher da Alerj.
Segundo Ruas, a parlamentar municipal será recebida na Assembleia por um grupo de deputados estaduais em um ato de solidariedade e apoio institucional.
“Quero propor que possamos chamar a vereadora para vir até a Casa. Vou ter o prazer de recebê-la aqui. Podemos reunir mais deputados para recebê-la, prestar toda a solidariedade, apoio e cobrar também da Polícia Civil que possa ter uma investigação para que os culpados sejam responsabilizados o quanto antes”, afirmou o presidente da Alerj.
Denúncias de violência política
Durante discurso em plenário, Tia Ju afirmou que a vereadora estaria sendo alvo de cerceamento político dentro da Câmara Municipal de Teresópolis. A deputada revelou que a Professora Amanda teria sido impedida de participar de uma audiência da Comissão de Saúde e Assistência Social da cidade.
“A vereadora foi participar de uma audiência e foi posta para fora, foi mandada sair da audiência. Pior, presidente, o mandato dela foi proibido de participar de uma audiência. Um cidadão comum não pode ser proibido de participar de uma audiência, quiçá uma representante do povo”, declarou.
A deputada também criticou a postura do presidente da Câmara Municipal de Teresópolis, vereador Raimundo Amorim, e afirmou que a Procuradoria da Mulher vem acompanhando denúncias relacionadas à violência política de gênero em diferentes regiões do estado.
Ameaças de morte
Tia Ju revelou ainda que a parlamentar acionou a Procuradoria da Mulher na última semana após receber supostas ameaças de morte. As mensagens continham fotos de armas e munições.
“Recebeu ameaças de morte com fotos de arma, com munição, falando que ela precisa calar a boca. Já estamos tomando as providências devidas”, disse.
A deputada afirmou que a Procuradoria já prepara ofícios direcionados às autoridades competentes e à presidência da Câmara Municipal de Teresópolis para solicitar medidas de proteção à vereadora.
“É muito grave receber ameaça de morte. E ameaçando porque disseram que ela tem que calar a boca enquanto vereadora”, acrescentou.
Solidariedade na Assembleia
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj, deputada Renata Souza (Psol), também se pronunciou em apoio à vereadora e associou o caso ao debate sobre violência política de gênero enfrentada por mulheres nos espaços de poder.
“A tentativa de inviabilizar mulheres dentro das casas legislativas é algo orquestrado para que nós não ocupemos os espaços que a democracia garantiu”, afirmou.
Renata Souza também destacou que mulheres parlamentares ainda enfrentam sub-representação e episódios recorrentes de intimidação política.
“As poucas mulheres são constantemente violentadas politicamente dentro das Casas Legislativas, são constantemente silenciadas e ameaçadas inclusive de morte”, declarou.
A parlamentar lembrou ainda o assassinato da vereadora Marielle Franco e afirmou que casos de violência política não podem ser tratados como situações normais dentro da democracia.
Mobilização da Alerj
Ao final da discussão, Douglas Ruas reforçou que a Assembleia pretende acompanhar o caso de perto e cobrar providências das autoridades responsáveis pela investigação.
“Faço questão de receber a vereadora Professora Amanda aqui nesta Casa, junto com todos os deputados, para que nós possamos externar toda a nossa solidariedade e juntos cobrarmos das autoridades competentes as providências o mais rápido possível”, afirmou.






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