Buzzi tem novos relatos citados de assédio sexual e STJ avalia punição

Depoimentos ao Conselho Nacional de Justiça apontam novos episódios envolvendo o ministro, enquanto tribunal decide se abre processo administrativo

Novos depoimentos apresentados ao Conselho Nacional de Justiça ampliaram o conjunto de acusações envolvendo o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça. Os relatos mencionam a existência de outras possíveis vítimas e detalham episódios que teriam ocorrido no ambiente de trabalho do magistrado.

Uma ex-funcionária que já havia denunciado o ministro relatou ao CNJ um caso envolvendo uma jovem que teria atuado como estagiária no gabinete. Segundo o depoimento, a funcionária teria deixado a sala do ministro abalada e, em seguida, relatado exigências relacionadas à forma como deveria se apresentar no trabalho.

“Em um determinado momento, eu vi a X saindo chorando da sala do ministro e ela me relatou que o ministro tinha solicitado que, quando ela fosse trabalhar, fosse somente de cabelo amarrado, sem maquiagem, e que usasse saia. E (também) que ela excluísse a foto de WhatsApp dela e que utilizasse a foto que ele mesmo tirou dela lá no gabinete”, afirmou a denunciante.

Testemunho reforça versão

Uma testemunha ouvida pelo CNJ confirmou que teve conhecimento do episódio por meio da ex-funcionária. Em seu relato, disse ter considerado incomum a forma como a jovem ingressou no gabinete e deixou o trabalho pouco tempo depois.

“Eu achei muito estranha a forma como ela entrou, não ficou muito tempo. Ficou pouco tempo e depois não foi mais. Não apareceu mais”, afirmou. A testemunha também mencionou que o ministro teria feito exigências sobre vestimentas e aparência.

Além desse caso, a denunciante relatou ainda a situação de uma quarta pessoa, que teria ocupado um cargo de maior responsabilidade no gabinete e deixado a função após um episódio de assédio.

Decisão do STJ se aproxima

Os depoimentos estão sob sigilo e fazem parte de um conjunto de informações que será analisado pelo STJ. O tribunal deve decidir na próxima terça-feira (14) se abre um processo administrativo contra o ministro. Caso a investigação seja instaurada, ao final dos trabalhos caberá à Corte deliberar sobre eventual responsabilização.

Antes dessas denúncias, um outro relato já havia sido apresentado. Uma jovem de 18 anos afirmou ter sido vítima de importunação durante um encontro na casa de praia do ministro, em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Segundo a acusação, o episódio ocorreu durante o recesso. O magistrado nega a versão.

Defesa contesta acusações

Em nota, a defesa de Buzzi afirmou que os vazamentos de depoimentos violam o sigilo do processo e prejudicam as garantias do investigado. Os advogados sustentam que apenas informações relacionadas às acusações têm sido divulgadas, sem a apresentação de elementos que contestariam as denúncias.

“A defesa do Ministro Buzzi repudia o vazamento do depoimento da segunda denunciante, divulgado em texto e vídeo nesta semana”, diz o texto.

Ainda segundo a manifestação, a divulgação seletiva de informações teria como objetivo pressionar o tribunal. A defesa também afirmou confiar na condução institucional do caso e na análise das provas no âmbito do processo.

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