O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à fase decisiva do calendário eleitoral com o país praticamente dividido na avaliação de sua gestão. Pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira (10/8) mostra que 46% dos eleitores aprovam a administração federal, enquanto 49% a desaprovam.
A diferença entre os dois grupos é de três pontos percentuais. Outros 5% dos entrevistados disseram não saber responder ou preferiram não manifestar opinião sobre o desempenho do governo.
Os números fazem parte da 9ª rodada da pesquisa BTG Pactual/Nexus e reforçam um cenário de forte divisão do eleitorado em relação ao governo federal. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, os percentuais de aprovação e desaprovação estão próximos.
O resultado ganha peso político por ser divulgado em meio à disputa pela Presidência da República. Na mesma rodada da pesquisa, Lula aparece na liderança das intenções de voto no primeiro turno, com 40%, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A diferença entre avaliação administrativa e intenção de voto mostra que os dois indicadores, embora relacionados, não são necessariamente equivalentes. Parte do eleitorado pode desaprovar uma gestão e, ainda assim, optar pelo presidente diante das alternativas apresentadas na eleição, assim como eleitores que aprovam aspectos do governo podem fazer outra escolha nas urnas.
Avaliação do governo expõe divisão do eleitorado
A pesquisa também detalhou a percepção dos entrevistados sobre o desempenho da administração Lula. As avaliações positivas e negativas continuam concentrando parcelas expressivas da população, enquanto o grupo que classifica o governo como regular ocupa posição relevante no quadro geral.
Os dados indicam ainda que a percepção sobre o governo varia de maneira significativa conforme a região do país e as características socioeconômicas dos entrevistados.
A aprovação alcança seus melhores resultados entre beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família, moradores do Nordeste e eleitores situados nas faixas de menor renda familiar.
Esses segmentos constituem historicamente uma parcela importante da base eleitoral de Lula e do PT. O Nordeste, em particular, tem apresentado nas últimas eleições presidenciais resultados mais favoráveis ao petista do que outras regiões do país.
No sentido contrário, a desaprovação cresce entre os entrevistados de renda mais elevada e entre aqueles com ensino superior. O governo também encontra maior resistência em regiões nas quais candidatos e partidos de oposição possuem bases eleitorais mais consolidadas.
Os recortes ajudam a revelar que, por trás dos percentuais nacionais praticamente equilibrados, existem diferenças importantes na maneira como diferentes segmentos da sociedade avaliam a administração federal.
Avaliação e disputa eleitoral
O levantamento é divulgado em um momento no qual a avaliação do governo tende a assumir importância ainda maior para a estratégia eleitoral do presidente.
Na mesma pesquisa BTG/Nexus, Lula aparece com 40% das intenções de voto no cenário de primeiro turno, cinco pontos à frente de Flávio Bolsonaro, que registra 35%.
A vantagem, porém, diminui em uma eventual disputa direta. No cenário de segundo turno entre os dois, Lula aparece com 47% e Flávio com 44%, configurando empate técnico diante da margem de erro do levantamento.
O cruzamento dos dois resultados coloca a avaliação da administração federal entre os indicadores relevantes para acompanhar a evolução da campanha. Enquanto Lula mantém um patamar expressivo de aprovação, praticamente metade do eleitorado declara desaprovar o governo.
A capacidade dos candidatos de conquistar eleitores fora de suas bases mais consolidadas tende, portanto, a ser um dos elementos centrais da corrida presidencial, sobretudo diante de um cenário de segundo turno apertado apontado pelo levantamento.
Pesquisa ouviu 2.001 eleitores em todo o país
A 9ª rodada do estudo quantitativo foi realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, empresa da FSB Holding, a pedido do banco BTG Pactual.
Foram entrevistados 2.001 eleitores com 16 anos ou mais nas 27 unidades da Federação entre os dias 7 e 9 de agosto de 2026.
As entrevistas foram realizadas por telefone pelo método CATI, sigla em inglês para entrevistas telefônicas assistidas por computador.
A margem de erro máxima informada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08428/2026. A responsabilidade estatística é de Neale El-Dash (CONRE 8656-A), e a direção técnica ficou a cargo de Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, e André Jácomo, diretor de Pesquisa.







Deixe um comentário