O BRB está vendendo ativos ao BTG Pactual para obter recursos e sustentar suas operações em meio à crise financeira. Segundo apuração do Estadão/Broadcast publicada nesta sexta-feira (6), o banco privado já adquiriu mais de 50% da carteira de crédito imobiliário da instituição pública do Distrito Federal.
As negociações envolvem a compra de carteiras, sem aquisição de participação societária no BRB. Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que o objetivo é reforçar o caixa e ganhar tempo para enfrentar os problemas do banco. Procurados, BTG e BRB informaram que não comentariam o assunto.
Carteiras e imóveis nas negociações
Além do crédito imobiliário, o BTG teria interesse em outros ativos com garantias e em imóveis pertencentes ao BRB, especialmente terrenos. Segundo os relatos, os descontos oferecidos tornam as operações atrativas para o comprador.
As aquisições começaram em ritmo mais intenso e desaceleraram recentemente. As razões para essa redução são objeto de avaliações entre os interlocutores consultados.
A venda dos ativos ajuda a gerar liquidez, mas também reduz a participação das operações consideradas saudáveis no balanço. Na avaliação das fontes, a estratégia oferece alívio imediato sem resolver integralmente as dificuldades financeiras.
DF avalia instituição de fomento
Uma alternativa em estudo é criar uma estrutura de fomento para administrar serviços e operações do Governo do Distrito Federal hoje vinculados ao BRB. A governadora Celina Leão (PP) ainda avalia as possibilidades.
Nesse modelo, poderiam ser reunidas atividades relacionadas à mobilidade, como cartões de ônibus e metrô, e ao microempreendedorismo. A referência citada é o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).
Outro ponto sensível é o volume de depósitos judiciais mantidos no BRB, estimado em cerca de R$ 30 bilhões. Segundo a reportagem, esses recursos pesam nas discussões sobre o futuro da instituição. O Banco Central informou que não comentaria o caso.
Crise envolve negócios com o Master
O governo distrital buscou no Supremo Tribunal Federal um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos para capitalizar o banco, mas não obteve os recursos diante da resistência à concessão das garantias.
O Tesouro também negou aval da União a um empréstimo por causa da situação fiscal do Distrito Federal, classificado com nota C de Capacidade de Pagamento. A garantia exige classificação A ou B.
Em outra frente, o DF pediu ao STF que R$ 2,245 bilhões em bens e contas bloqueados de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, sejam destinados ao BRB. A petição solicita o reconhecimento do banco e do governo distrital como vítimas das condutas investigadas.
Na semana passada, a Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outros investigados por crimes financeiros relacionados à venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito ao banco público.







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