O conflito entre Ucrânia e Rússia já resultou na morte de ao menos nove brasileiros e no desaparecimento de outros 17, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores. Os dados foram compilados pelo Itamaraty a partir de registros das embaixadas em Kiev e Moscou, que também relataram dificuldades em prestar apoio consular às famílias envolvidas.
Entre os mortos está Gabriel Pereira, mineiro que se alistou para lutar ao lado do exército ucraniano. Segundo familiares, ele morreu no início de julho, mas a data exata do óbito ainda é incerta.
A notícia chegou por meio de amigos e de listas divulgadas por perfis russos nas redes sociais, que identificam soldados inimigos mortos em combate. Desde então, parentes de Gabriel tentam localizar o corpo e viabilizar o translado para o Brasil, mas denunciam entraves burocráticos e falta de assistência tanto do governo brasileiro quanto do ucraniano.
Redes sociais e o recrutamento de brasileiros
Perfis e canais nas redes sociais têm promovido o chamado “turismo de guerra”, incentivando brasileiros a se alistarem em batalhas no leste europeu com a promessa de altos pagamentos em dólar. Muitos embarcam para o front sem qualquer experiência militar formal e acabam recrutados por meio de contatos informais.
Gabriel Pereira, por exemplo, compartilhava sua rotina nas redes sociais e parecia ciente dos riscos. Mas nem ele nem sua família imaginavam a dificuldade que enfrentariam para obter informações básicas após sua morte.
Ucrânia recruta estrangeiros desde o início da guerra
A Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia foi anunciada pelo presidente Volodymyr Zelensky em 2022, como uma unidade militar aberta a voluntários estrangeiros, inclusive sem experiência prévia em combate. Na época, o chanceler Dmytro Kuleba convocou estrangeiros que desejassem lutar contra as forças russas a se alistarem via missões diplomáticas ucranianas.
Desde então, brasileiros têm aderido à legião com motivações diversas — de ideológicas a financeiras —, mas a ausência de apoio legal e logístico por parte dos governos envolvidos tem deixado seus destinos incertos.
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