Bolsonaro e militares condenados na trama golpista correm para tentar reverter penas no STF

Condenados por tentativa de golpe apresentam embargos de declaração ao STF enquanto defesa busca alternativas para mudar penas, incluindo a de Jair Bolsonaro

A reta final dos recursos no processo sobre a tentativa de golpe mobilizou nesta segunda-feira (24) condenados que tiveram as penas definidas pelo Supremo Tribunal Federal em setembro. No último dia do prazo, os réus começaram a enviar embargos de declaração, um tipo de recurso que questiona pontos específicos da sentença, mas que raramente muda o tempo de prisão. A informação foi publicada inicialmente pelo G1.

O primeiro a apresentar o documento foi o general Mauro Cid Nogueira, condenado a 19 anos por integrar o chamado núcleo crucial da trama. O movimento inaugura a fase derradeira de contestação da decisão, em um processo que envolve nomes do alto escalão político e militar.

Bolsonaro, que recebeu pena de 27 anos e 3 meses e está preso preventivamente após tentar retirar a tornozeleira eletrônica durante prisão domiciliar, tem até o fim do dia para protocolar sua defesa. O ex-presidente responde por liderar organização criminosa com objetivo de promover um golpe de Estado.

Além dele, outros seis condenados aguardam a conclusão da fase recursal. Entre eles está Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e deputado federal, sentenciado a 16 anos, 1 mês e 15 dias e com prisão decretada após deixar o país em descumprimento de ordem judicial. Também figura na lista o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, condenado a 24 anos.

O processo atinge ainda Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, punido com 24 anos; Augusto Heleno, ex-chefe do GSI, condenado a 21 anos; Mauro Cid, delator da trama, que já cumpre pena de até 2 anos em regime aberto; e o ex-ministro Walter Braga Netto, sentenciado a 26 anos.

Embora exista a possibilidade teórica de apresentação de embargos infringentes, que tentam alterar o tempo de pena, o entendimento do STF é de que eles só cabem quando há ao menos dois votos pela absolvição, o que não ocorreu em nenhum dos casos. Mesmo assim, a defesa de Anderson Torres já informou que tentará usar o instrumento.

A fase de recursos marca o último capítulo antes da execução definitiva das penas, enquanto o país acompanha os desdobramentos políticos e jurídicos do julgamento que envolveu a cúpula do governo anterior.

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