Os economistas consultados pelo Banco Central elevaram pela segunda semana consecutiva a previsão para a inflação brasileira em 2026 e voltaram a reduzir a estimativa de crescimento da economia. Os novos números constam do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (28).
A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,92% para 4,99%. Uma semana antes, a estimativa já havia subido de 4,90% para 4,92%, indicando uma sequência de revisões para cima nas expectativas de inflação.
Na direção contrária, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) recuou de 1,88% para 1,86%. Foi a terceira semana consecutiva de redução na estimativa de crescimento e o menor percentual projetado pelo mercado desde maio.
Inflação projetada permanece acima do teto da meta
A nova estimativa de 4,99% para o IPCA coloca a inflação projetada para 2026 acima do limite superior da meta perseguida pelo Banco Central.
O centro da meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Dessa forma, o teto é de 4,5%. A projeção do mercado está 0,49 ponto percentual acima desse limite.
Para os preços administrados, categoria que inclui itens como tarifas de energia elétrica e combustíveis, a previsão de inflação em 2026 aumentou de 4,61% para 4,63%.
O Focus também aponta expectativa de alta de 0,56% do IPCA em setembro. Para outubro, a projeção é de 0,33%. A estimativa para novembro avançou de 0,32% para 0,35%.
Já a previsão para a inflação acumulada em 12 meses passou de 4,62% para 4,65%.
Para os próximos anos, o mercado projeta desaceleração gradual. A expectativa para o IPCA de 2027 subiu ligeiramente, de 4,30% para 4,31%. Para 2028, a previsão está em 3,80% e, para 2029, em 3,50%.
Mercado mantém Selic em 13,5% no fim do ano
Apesar da revisão para cima da inflação, os economistas mantiveram em 13,5% ao ano a expectativa para a taxa básica de juros no encerramento de 2026.
Nas projeções mensais reunidas pelo Focus, a expectativa é de Selic em 13,75% em setembro, 13,63% em outubro e 13,5% em novembro.
Para 2027, a estimativa permanece em 12% ao ano. O mercado projeta ainda taxa de 10,5% em 2028 e de 10% em 2029.
A trajetória dos juros é acompanhada de perto porque a Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para influenciar a inflação. Taxas mais elevadas tendem a encarecer o crédito e reduzir o ritmo da atividade econômica, enquanto cortes podem estimular consumo e investimentos.
Previsões para o crescimento econômico recuam
As revisões do Focus também mostram uma redução das expectativas para a atividade econômica em diferentes horizontes.
Além da queda da projeção do PIB de 2026, de 1,88% para 1,86%, a estimativa para 2027 passou de 1,43% para 1,41%. Para 2028, a previsão foi reduzida de 1,87% para 1,83%. Em 2029, permanece em 2%.
No câmbio, as expectativas apresentaram poucas alterações. A projeção para o dólar no encerramento de 2026 continua em R$ 5,20. Para 2027, permanece em R$ 5,28, enquanto a estimativa para 2028 é de R$ 5,30.
Para 2029, houve uma pequena revisão para baixo, de R$ 5,36 para R$ 5,35.
O Boletim Focus reúne semanalmente as expectativas de instituições do mercado financeiro e de analistas para alguns dos principais indicadores da economia brasileira. As projeções não representam previsões oficiais do Banco Central.







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