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Big techs nas eleições: Meta e Google reduzem controles na contramão da Justiça Eleitoral

Meta reduz checagens e abandona ferramentas usadas em 2022, enquanto plataformas terão de cumprir novas regras do TSE contra desinformação e uso eleitoral de inteligência artificial

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As eleições de 2026 vão colocar as maiores plataformas digitais diante de uma situação inédita no Brasil. Enquanto empresas como Meta, Google e X vêm reduzindo ou alterando mecanismos de moderação de conteúdo, a Justiça Eleitoral ampliou as obrigações que as big techs terão de cumprir durante a disputa.

Na prática, dois movimentos caminham em sentidos contrários. Nos Estados Unidos, grandes plataformas vêm adotando uma política mais favorável à liberdade de expressão e de menor interferência sobre publicações dos usuários. No Brasil, porém, novas normas ampliaram as exigências relacionadas à desinformação, à inteligência artificial e ao cumprimento de determinações judiciais.

A mudança coloca empresas como Meta, dona de Facebook e Instagram, Google, responsável pelo YouTube, e X diante do desafio de adaptar políticas globais às regras brasileiras. O TikTok, por outro lado, tomou uma direção diferente e anunciou reforço de iniciativas de moderação e combate à desinformação eleitoral.

TSE aperta regras

O ambiente regulatório de 2026 é diferente daquele enfrentado pelas plataformas nas duas últimas eleições.

Em 2022, boa parte das medidas contra desinformação eleitoral dependia de decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de uma resolução aprovada depois do primeiro turno que endureceu prazos para a retirada de conteúdos considerados desinformativos.

Nas eleições municipais de 2024, o TSE avançou sobre outra preocupação: a inteligência artificial. A Corte passou a exigir identificação de conteúdos produzidos com IA e proibiu o uso de deepfakes na propaganda eleitoral.

Para 2026, as restrições são ainda maiores. A resolução eleitoral publicada em março proibiu totalmente conteúdo político produzido com inteligência artificial nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à votação.

A regulamentação também alcança chatbots de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini e Grok, que não poderão recomendar voto ou privilegiar candidatos nas respostas dadas aos usuários durante o processo eleitoral.

Além disso, as plataformas serão obrigadas, pela primeira vez, a apresentar planos de conformidade ao TSE. Os documentos deverão explicar como cada empresa pretende cumprir a resolução, com metas, métricas de alcance e relatórios dos resultados. O prazo indicado no texto-base para a apresentação desses planos é 16 de agosto.

Judicialização pode disparar

As empresas também se preparam para uma eleição com maior número de disputas judiciais.

Segundo a apuração citada no material original, uma das big techs aumentou em 30% a quantidade de advogados externos mobilizados para atuar no pleito, principalmente em processos relacionados a pedidos de remoção de conteúdo e cumprimento de decisões judiciais.

No início do ano, executivos dessa companhia projetavam crescimento de 30% no número de ações em comparação com 2022. Posteriormente, a previsão foi elevada para um avanço entre 50% e 60%.

O cenário também foi alterado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Marco Civil da Internet, que ampliou a responsabilidade das empresas por determinados conteúdos publicados por usuários, e pela designação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) como autoridade reguladora para as redes.

Essas medidas não tratam exclusivamente da propaganda eleitoral, mas podem atingir situações relacionadas à campanha.

Meta reduz checagens

Enquanto as regras brasileiras aumentam, mecanismos criados pelas próprias empresas vêm sendo reduzidos.

A Meta é um dos principais exemplos. Em janeiro de 2025, Mark Zuckerberg anunciou a decisão da companhia de abandonar o sistema de checagem de fatos. A mudança ainda não foi integralmente aplicada no Brasil, onde a empresa mantém parceria com seis agências de verificação.

Mesmo assim, houve redução no volume das checagens. Segundo a reportagem que serve de base para este texto, a Meta diminuiu em cerca de 20% o limite máximo de verificações realizadas pelas agências parceiras. Em anos eleitorais anteriores, a empresa normalmente aumentava esse volume, algo que ainda não havia ocorrido em 2026.

A companhia também abandonou algumas ferramentas utilizadas nas eleições de 2022.

Publicações relacionadas ao pleito deixaram de receber rótulos que levavam os usuários diretamente a informações oficiais do TSE. Segundo a Meta, a avaliação foi de que esses avisos perdiam eficácia com o passar do tempo.

Também não haverá neste ano o chatbot do Instagram usado para oferecer informações eleitorais aos usuários. A companhia não publicou ainda uma nova edição do guia voltado a mulheres na política, iniciativa que havia sido adotada em 2022 e 2024.

A Meta, contudo, manteve a ferramenta Megafone, utilizada para fornecer lembretes e direcionar eleitores a fontes oficiais com informações como datas de cadastramento e locais de votação.

Outra diferença é que, ao contrário de 2022, o Brasil não foi classificado pela empresa como local temporário de alto risco. A Meta afirma, porém, que essa classificação poderá ser adotada caso considere necessário.

YouTube também mudou política

O Google também alterou medidas específicas ligadas às eleições.

Em 2022, o YouTube havia anunciado que removeria publicações que alegassem fraude na eleição presidencial de 2018. Para 2026, porém, a plataforma não assumiu compromisso equivalente de remover conteúdos que aleguem fraude na eleição de 2022.

Também deixou de constar dos termos de uso da plataforma uma proibição específica contra alegações falsas de que urnas eletrônicas brasileiras teriam sido invadidas anteriormente para modificar votos.
Por outro lado, os painéis eleitorais do Google continuam ativos, com informações sobre candidatos, processo eleitoral e votação exibidas em vídeos relacionados às eleições.

A empresa também pretende disponibilizar a ferramenta Likeness ID, destinada a identificar a aparência de pessoas, incluindo políticos, em conteúdos produzidos por inteligência artificial. Se for detectada uma possível reprodução, como um deepfake, o interessado poderá revisar o material e solicitar sua remoção.

O Google deixou de comercializar propaganda política no Brasil em 2024, sob o argumento de que seria inviável cumprir as novas exigências de transparência determinadas pelo TSE. Com isso, segundo o texto-base, a Meta será a única das grandes plataformas citadas a fornecer esse tipo de propaganda eleitoral.

X aposta em notas da comunidade

No X, a mudança na política de moderação começou após a aquisição da empresa por Elon Musk, em 2022.

As equipes internas de checagem de fatos foram encerradas e substituídas pelas chamadas notas da comunidade, mecanismo no qual os próprios usuários acrescentam contexto e avaliam informações publicadas na rede.

As notas, porém, não provocam automaticamente remoção, aplicação de rótulos ou redução no alcance das postagens. O X não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem que serviu como base para este texto.

A Meta também anunciou intenção de adotar mecanismo semelhante.

TikTok segue caminho diferente

Entre as grandes plataformas citadas, o TikTok aparece como exceção à tendência de redução das medidas de moderação.

A empresa anunciou novas iniciativas de combate à desinformação eleitoral e manteve parceria com agências de checagem. Seus termos de uso também preveem a retirada de conteúdos considerados falsos.

A plataforma contratou ainda a Agência Lupa para um trabalho de inteligência pré-eleitoral destinado a identificar narrativas desinformativas que estejam surgindo e ganhando alcance nas redes.

Também foram estabelecidas parcerias com o InternetLab para monitorar conteúdos relacionados à violência política de gênero e com a Politize para produção de material educativo sobre política.

O resultado é uma eleição na qual o poder público brasileiro amplia as regras ao mesmo tempo em que algumas das maiores plataformas do mundo diminuem mecanismos próprios de fiscalização. O equilíbrio entre esses movimentos deverá ser um dos principais desafios digitais da disputa de 2026.

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