O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, criticou duramente a divulgação pública de mensagens privadas trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e sua então namorada, a empresária e influenciadora Martha Graeff. Para o magistrado, a exposição do conteúdo representa uma “barbárie institucional” e configura um “linchamento moral”, por envolver conversas íntimas sem relação com eventuais crimes investigados.
As mensagens vieram a público após a prisão de Vorcaro, ocorrida na semana passada durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o banco Master. A divulgação dos diálogos gerou reação imediata de Mendes, que apontou uma grave violação ao direito à privacidade.
Críticas à exposição de conversas privadas
Em publicação nas redes sociais, o ministro afirmou que a divulgação de conversas privadas, quando desvinculadas de qualquer prática ilícita, fere princípios fundamentais. “A exposição pública de conversas de cunho estritamente privado, desvinculadas de qualquer ilicitude, constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade”, escreveu.
Gilmar Mendes também criticou a forma como trechos das conversas foram tornados públicos durante o andamento das investigações. Para ele, cabe às autoridades preservar o material que não tenha relevância para o processo penal.
Ministro fala em ‘linchamento moral’
“Ao permitir a publicação de diálogos íntimos de um casal, o Estado e seus agentes não apenas falham em seu dever de guarda, mas desrespeitam a legislação, que impõe categoricamente a inutilização de trechos que não interessam à persecução penal”, declarou o ministro.
Na avaliação do magistrado, a divulgação de conteúdos sem relação direta com a investigação transforma um procedimento técnico em um espetáculo público. “Ao transformar o que deveria ser uma investigação técnica em um espetáculo e em um verdadeiro ato de linchamento moral, o sistema incorre em nítida afronta à dignidade humana e aos direitos fundamentais”, acrescentou.
Defesa de Martha Graeff avalia ação judicial
A repercussão do caso também levou a defesa de Martha Graeff a avaliar medidas judiciais. Em nota divulgada à imprensa, os advogados da empresária afirmaram que ela está “consternada em face da grave violência que vem sofrendo” com a exposição das mensagens.
A equipe jurídica classificou a divulgação das conversas íntimas como “manifestamente ilegal e impressionantemente inútil” para o andamento da investigação, indicando que a empresária pode recorrer à Justiça contra os responsáveis pelo vazamento.






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