Festas de Vorcaro com autoridades entram na mira do TCU; entenda

Representação do Ministério Público pede apuração sobre participação de agentes públicos em eventos privados do banqueiro

Uma representação do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União recomenda a abertura de investigação para identificar autoridades federais que teriam participado de festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo, que revelou detalhes dos encontros realizados na casa de veraneio do empresário em Trancoso, no litoral da Bahia, e em outros locais no Brasil e no exterior.

Segundo o documento, os eventos — conhecidos informalmente como “Cine Trancoso” — teriam reunido integrantes dos três Poderes, executivos do mercado financeiro, políticos e membros do meio jurídico. A representação menciona reportagens anteriores que abordaram as reuniões e sugere a apuração da eventual participação de agentes públicos.

Festas em Trancoso e conflito com proprietária

A casa onde ocorreram parte das festas pertencia à empresária Sandra Habib, esposa de Sérgio Habib, presidente da JAC Motors Brasil. Vorcaro inicialmente alugou o imóvel entre 2021 e 2022 e posteriormente empresas ligadas a ele adquiriram a propriedade.

Mensagens anexadas a um processo judicial mostram reclamações da antiga dona do imóvel sobre o uso da casa. Em conversas reproduzidas no processo, ela relatou incômodo com presença de prostitutas, música alta, número de convidados acima do permitido e shows privados que teriam chamado a atenção de vizinhos e autoridades locais.

“O Vorcaro encheu a minha casa de putas. Ele, amigos e muitas putas! Desde antes de ontem, reclamações por causa do som acima do permitido. Ontem foi pior”, escreveu Sandra ao corretor em 5 de outubro de 2022, véspera do aniversário de Vorcaro.

Rede de relações e eventos frequentes

De acordo com a reportagem, festas organizadas pelo banqueiro não se limitaram ao litoral baiano. Executivos, empresários e integrantes de órgãos públicos relataram encontros semelhantes em São Paulo, no exterior e em eventos paralelos a conferências políticas e econômicas.

Um dos encontros mais comentados teria ocorrido após a Semana do Brasil, em Nova York, enquanto outro teria sido realizado em Lisboa, paralelamente ao Fórum Jurídico conhecido como “Gilmarpalooza”, apelido ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.

Relatos de convidados indicam que os eventos eram marcados por luxo, shows privados, bebidas caras e cardápios sofisticados. Entre os itens citados estavam vinhos raros e uísques de alto valor, além de serviço considerado impecável.

Celular do banqueiro e rumores de investigação

Nos bastidores, o avanço das investigações relacionadas ao Banco Master aumentou a repercussão sobre os encontros. Há rumores de que imagens dessas festas poderiam ter sido armazenadas pelo anfitrião. A Polícia Federal foi procurada, mas não comentou o assunto.

Interlocutores afirmam que os eventos eram frequentados por políticos de diferentes partidos, além de executivos de bancos públicos e fundos de previdência. A avaliação de pessoas próximas ao caso é que a exposição dessas relações poderia ter impacto político relevante, ainda que festas privadas entre adultos não constituam crime.

Protestos e pressão política

O episódio também passou a ser explorado politicamente. O Movimento Brasil Livre organizou protestos em frente ao Banco Master, citando a reputação de Vorcaro e supostas conexões com autoridades.

Para Renato Battista, coordenador do movimento, o conteúdo do celular do banqueiro poderia trazer revelações:
“Hoje ficou comprovada a relação financeira entre ele e o ministro Dias Toffoli, mas não para por aí. Todo mundo sabe que Vorcaro realizava diversas festas com autoridades”, afirmou.

Defesa nega irregularidades

Em nota enviada à reportagem, a defesa do empresário rejeitou as acusações e classificou as informações como distorcidas. Segundo os advogados, as alegações fariam parte de uma tentativa de difamação e não teriam relevância jurídica.

A defesa também afirmou que a divulgação de relatos com juízo moral contribui para pré-julgamentos e pode interferir na percepção pública antes da conclusão das investigações.

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