Um vídeo repleto de momentos de carinho entre Monique Medeiros e Henry Borel se transformou em uma das principais apostas da defesa durante o julgamento que terminou com o perdão judicial concedido à mãe do menino. Exibido aos jurados nos momentos finais do Tribunal do Júri, o material buscou combater uma das imagens mais exploradas ao longo do processo: a de uma mãe distante e indiferente ao filho.
A estratégia foi apresentada durante a sustentação dos advogados de Monique e acabou se tornando um dos momentos mais emocionantes dos onze dias de julgamento que mobilizaram a atenção do país, segundo reportagem do jornal Extra.
Defesa apostou na emoção
Com duração de dois minutos e 27 segundos, o vídeo mostrava cenas registradas antes da morte de Henry. Nas imagens, Monique aparece conversando, brincando e demonstrando afeto pelo filho.
Em um dos trechos, ela pergunta ao menino se ele sabia que era amado. Em outro momento, questiona quem seria a melhor mãe do mundo, enquanto Henry aponta para ela.
A intenção da defesa era demonstrar aos jurados que existia uma relação afetiva sólida entre mãe e filho, contrariando a narrativa de frieza e distanciamento que, segundo os advogados, foi construída ao longo dos anos de investigação e do processo judicial.
Livro favorito de Henry
Outro trecho explorado pela defesa mostrou Monique lendo para o filho o livro infantil “Árvore de Sapato”, apontado pelos advogados como uma das histórias preferidas de Henry.
Segundo a advogada Florence Rosa, a ligação emocional entre mãe e filho era tão intensa que Monique teria lido a mesma obra durante o velório da criança, antes do sepultamento.
A narrativa foi utilizada para reforçar a tese de que a ré mantinha uma relação de cuidado e afeto com o menino.
Monique chorou diante dos jurados
Enquanto o vídeo era exibido no plenário, Monique não conseguiu conter a emoção.
Sentada ao lado da equipe de defesa, ela acompanhou as imagens chorando. Em determinado momento, abraçou uma das advogadas e passou a soluçar diante dos jurados.
O vídeo foi acompanhado por músicas de forte apelo emocional, entre elas “Era Uma Vez”, de Kell Smith, “Fico Assim Sem Você”, eternizada na voz de Adriana Calcanhotto, “Trem Bala”, de Ana Vilela, e o louvor “Que Amor É Esse”.
Camiseta reforçou estratégia
A defesa também apostou em elementos visuais para reforçar a mensagem apresentada aos jurados.
No último dia de julgamento, o advogado Hugo Novais abriu a toga durante sua sustentação e revelou uma camiseta estampada com fotografias de Monique e Henry.
A peça trazia a frase “Sou testemunha do amor entre mãe e filho” e foi utilizada também por familiares da ré que acompanhavam a sessão do Tribunal do Júri. Assista ao vídeo:
Julgamento terminou com perdão judicial
Após onze dias de julgamento, o Conselho de Sentença decidiu desclassificar a acusação contra Monique Medeiros para homicídio culposo. Na sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro concedeu perdão judicial à ré, extinguindo a pena que poderia ser aplicada.
Já o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi condenado a mais de 43 anos de prisão pelos crimes relacionados à morte de Henry Borel.






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