Assembleias de Deus declaram apoio a Flávio Bolsonaro, mas Universal mantém neutralidade

Lideranças das duas maiores convenções das Assembleias de Deus declaram apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno, enquanto a Igreja Universal mantém neutralidade pública

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As lideranças das duas maiores convenções das Assembleias de Deus no Brasil declararam apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República no segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já a Igreja Universal do Reino de Deus mantém orientação para que seus pastores não apoiem publicamente nenhum dos candidatos.

Segundo reportagem da Folha de São Paulo, o posicionamento das lideranças nas assembleias amplia a presença de Flávio entre representantes de grandes denominações evangélicas. Entre os nomes que se manifestaram estão integrantes da família do pastor José Wellington Bezerra da Costa, uma das figuras históricas do pentecostalismo brasileiro, e o bispo Samuel Ferreira, presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério Madureira (Conamad).

A movimentação também foi destacada pelo pastor Silas Malafaia, que considera o apoio de lideranças tradicionalmente menos atuantes em campanhas eleitorais uma característica deste pleito.

Família de José Wellington declara apoio a Flávio

Paulo Freire Costa, filho de José Wellington e deputado reeleito pelo PL em São Paulo, divulgou no sábado (17) um vídeo em que tornou público o posicionamento da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus de São Paulo em favor de Flávio Bolsonaro. Na gravação, afirmou que o candidato defende os princípios do grupo religioso.

No domingo (18), a vereadora Rute Costa (PL-SP), também filha do pastor, publicou uma foto durante um ato bolsonarista na Avenida Paulista. José Wellington Júnior, primogênito do líder religioso, convocou fiéis responsáveis pela condução de cultos a reservar um momento de oração pelo Brasil.

O apoio da família a candidatos contrários ao PT tem precedentes. Em 1997, durante um congresso liderado por José Wellington, pastores manifestaram apoio à reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 2010, o religioso gravou um depoimento para a campanha presidencial de José Serra (PSDB), adversário de Dilma Rousseff (PT).

Pastor já havia defendido voto contra a esquerda

Em 2018, José Wellington declarou em um culto que o cenário político estava polarizado e orientou os fiéis a não votarem na esquerda. Em 2022, seu filho José Wellington Júnior também criticou tentativas de aproximação entre o pai e candidatos do PT.

Em abril de 2026, José Wellington recebeu Flávio Bolsonaro em sua igreja e fez uma oração para que o senador chegasse à Presidência da República. Antes do primeiro turno, porém, o pastor divulgou uma mensagem sem indicar preferência eleitoral, defendendo o respeito às lideranças, às instituições e entre as pessoas.

A disputa entre Flávio e Lula no segundo turno voltou a evidenciar o alinhamento de parte expressiva das lideranças evangélicas nacionais com o candidato do PL. A manifestação pública de integrantes da família de José Wellington reforça essa posição entre setores das Assembleias de Deus.

Samuel Ferreira também manifesta apoio ao senador

Samuel Ferreira, presidente da Conamad, também recebeu Flávio Bolsonaro em uma celebração pelos cem anos do ministério assembleiano que representa. Durante o encontro, realizado seis dias depois do primeiro turno, o bispo afirmou que “irmão vota em irmão”, expressão historicamente utilizada em mobilizações políticas de grupos evangélicos.

No ano anterior, Samuel havia se encontrado com Lula no Palácio do Planalto e feito uma oração com o presidente. O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), ligado à denominação, também havia mantido interlocução com o governo petista, depois de ter se alinhado a Jair Bolsonaro durante a Presidência do ex-mandatário.

Em 2026, Samuel declarou que, se pudesse pedir votos dentro da igreja, defenderia Flávio. O bispo justificou sua preferência afirmando que considera o senador honesto, sério e cristão, além de ter sido indicado pelo pai, Jair Bolsonaro.

Lideranças regionais também se posicionam

Outros grupos das Assembleias de Deus também se manifestaram durante a campanha. Na Paraíba, o pastor José Carlos de Lima recomendou que os fiéis se oponham a partidos que, segundo ele, pretendam ridicularizar a fé cristã.

A influência dessas lideranças vai além da exposição nas redes sociais. O cientista político Vinicius do Vale, que estuda o campo evangélico, destaca a atuação de José Wellington, cuja influência se estende por uma rede de igrejas de diferentes portes em São Paulo.

Mesmo sem ocupar o centro das atenções públicas, o pastor mantém influência no meio religioso e participa da articulação política por meio de integrantes de sua família, que conquistaram cargos eletivos em diferentes eleições.

Malafaia vê ampliação do apoio a Flávio

Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, afirmou que uma das características da eleição de 2026 é a manifestação de apoio por parte de dirigentes que, em outros pleitos, não costumavam se posicionar publicamente.

Malafaia citou José Wellington e Samuel Ferreira como exemplos de lideranças de peso que passaram a explicitar suas preferências eleitorais. Na avaliação do pastor, é difícil encontrar representantes evangélicos de grande influência que não estejam alinhados a Flávio Bolsonaro, embora existam exceções.

Entre os nomes que mantêm uma postura mais reservada está André Valadão, líder global da Igreja Batista da Lagoinha. A denominação foi mencionada no contexto do escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto Valadão tem evitado manifestações políticas públicas mais frequentes.

Em dezembro de 2025, Valadão recebeu Flávio na unidade da Lagoinha em Orlando, nos Estados Unidos. Na ocasião, o senador pediu uma oração para que Deus renovasse as forças do grupo para a eleição de 2026.

Universal mantém orientação de neutralidade

Diferentemente das lideranças assembleianas que declararam apoio ao candidato do PL, a Igreja Universal do Reino de Deus mantém uma orientação interna para que seus pastores não apoiem publicamente nenhum dos presidenciáveis.

O fundador da denominação, bispo Edir Macedo, manifestou apoio a Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022. No atual pleito, porém, a igreja não repetiu publicamente a mesma posição em relação a Flávio Bolsonaro.

A neutralidade é interpretada como uma postura cautelosa em meio às investigações envolvendo o Digimais, banco controlado por Macedo. O Republicanos, partido fundado por nomes ligados à Universal, declarou apoio a Flávio no segundo turno.

O bispo Alessandro Paschoall, uma das figuras da igreja que atua na interlocução com o meio político, afirmou em um videocast que não levanta bandeiras de direita, esquerda ou centro. Segundo ele, o posicionamento de um cristão deve estar associado ao Reino de Deus, e não necessariamente a um campo político.

A postura contrasta com declarações anteriores de outras lideranças da Universal. Em 2022, o bispo Renato Cardoso, genro de Edir Macedo, havia afirmado que ser cristão seria incompatível com votar na esquerda.

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