Flávio Bolsonaro recebe R$ 20,3 milhões em doações no segundo turno, 29 vezes mais que Lula

Contribuições de pessoas físicas representam cerca de 76% dos recursos recebidos pelo candidato do PL no período, enquanto Lula arrecadou R$ 709,1 mil em doações privadas.

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As doações privadas para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) chegaram a R$ 20,3 milhões no segundo turno das eleições de 2026, quase 29 vezes os R$ 709,1 mil arrecadados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os principais financiadores do candidato do PL estão empresários dos setores do agronegócio, da construção civil e da indústria.

Os dados constam das prestações de contas parciais apresentadas pelas campanhas à Justiça Eleitoral. No período analisado, Flávio recebeu R$ 26,8 milhões no total, dos quais aproximadamente 76% vieram de contribuições de pessoas físicas.

Os registros foram apresentados pelas campanhas nos dias 16 e 17 de outubro, respectivamente, por Lula e Flávio. Em comparação com os R$ 6,95 milhões arrecadados pelo candidato do PL em doações privadas no primeiro turno, o volume no segundo turno quase triplicou.

Agronegócio concentra milhões em contribuições

O agronegócio é um dos principais setores que financiam a campanha de Flávio Bolsonaro. As contribuições de empresários ligados à atividade somaram pelo menos R$ 7,8 milhões no segundo turno.

A maior doação individual mencionada nos registros foi feita por Elói Vitório Marchett, produtor de soja de Mato Grosso, que destinou R$ 2 milhões à candidatura. Integrantes da família Maggi, tradicional no agronegócio mato-grossense, contribuíram conjuntamente com R$ 1,5 milhão desde o primeiro turno.

Elizeu Zulmar Maggi Scheffer e sua esposa, Carolina Mognon Scheffer, fundadores do Grupo Scheffer, doaram R$ 500 mil cada. Outros R$ 500 mil foram destinados por Samuel Maggi Locks, ligado ao Grupo Locks.

Empresários da indústria também contribuem

Também aparecem entre os financiadores Felipe Eleutério Alvares Vaz, sócio do Frigorífico Goiás, de Catalão, que doou R$ 800 mil em 15 de outubro, e Gilson Lari Trennepohl, proprietário da fabricante de máquinas agrícolas Stara, que contribuiu com R$ 500 mil no dia 14.

Na indústria calçadista, Alexandre Grendene, fundador e maior acionista da fabricante de calçados ligada à família, responsável por marcas como Melissa e Rider, doou R$ 1 milhão à candidatura em 16 de outubro.

A construção civil foi o segundo setor com maior volume de contribuições privadas para a campanha de Flávio no segundo turno, com pelo menos R$ 2,4 milhões.

Frente parlamentar do agro declarou apoio a Flávio

O apoio financeiro ocorre em um cenário de alinhamento político entre parte do agronegócio e o bolsonarismo. Dois dias após o primeiro turno, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Na ocasião, o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR) apontou os juros elevados durante o governo Lula como um dos motivos para a decisão.

Entre as reivindicações do setor estão a ampliação do acesso ao crédito rural, o fortalecimento do seguro agrícola, a regularização fundiária e medidas para diminuir a dependência de fertilizantes importados.

Lula depende principalmente de recursos do partido

A campanha de Lula registrou um volume muito menor de contribuições privadas no segundo turno. Foram R$ 678,9 mil em financiamento coletivo e R$ 30,2 mil em doações de pessoas físicas.

Esses valores representam aproximadamente 3,4% dos R$ 20,71 milhões registrados pela campanha desde 5 de outubro. A principal fonte de financiamento no período foi um repasse de R$ 20 milhões do Fundo Eleitoral, transferido pelo PT em 8 de outubro.

O Partido Liberal também destinou recursos à campanha de Flávio desde 5 de outubro. Segundo os dados apresentados, foram R$ 4 milhões do Fundo Partidário e outros R$ 2,46 milhões para a locação de aviões.

PL e PT concentram recursos do Fundo Eleitoral

O PL e o PT receberam, juntos, cerca de 30% dos recursos do Fundo Eleitoral destinado às eleições de 2026. O partido de Flávio Bolsonaro ficou com R$ 881,7 milhões, equivalentes a 17,77% do total. Já o PT recebeu R$ 615,4 milhões, ou 12,4%.

A distribuição do fundo entre os partidos segue critérios estabelecidos pela legislação, que consideram principalmente a representação das legendas no Congresso Nacional. Depois de receber os recursos, cada partido define quanto será destinado aos candidatos, respeitando as regras eleitorais.

Criado em 2017, após a proibição das doações empresariais para campanhas políticas, o Fundo Eleitoral se tornou uma das principais fontes de financiamento das eleições brasileiras.

Doações individuais seguem limites da legislação

Apesar da proibição de contribuições diretas de empresas, empresários podem financiar campanhas como pessoas físicas. Pela legislação eleitoral, as doações estão sujeitas ao limite de 10% dos rendimentos brutos declarados pelo doador no ano anterior à eleição, observadas as exceções legais aplicáveis.

No balanço geral da campanha presidencial, o PL destinou R$ 67,5 milhões à candidatura de Flávio, considerando os repasses do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário, dentro de uma arrecadação total de R$ 95,5 milhões.

Já o PT financiou aproximadamente R$ 100 milhões da campanha de Lula, somando os dois turnos. Os números mostram diferenças na composição das receitas das duas candidaturas: Flávio conta com uma participação maior de doações privadas, enquanto Lula depende principalmente de recursos transferidos pelo próprio partido.

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