Aos 152 anos, restaurante Lamas reabre no Rio após quatro meses fechado por incêndio

Estabelecimento no Flamengo retoma as atividades nesta quarta-feira, com cozinha renovada e cardápio tradicional. O restaurante recebeu personalidades históricas e é apontado como local de fundação do Flamengo, em 1895

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O restaurante Lamas, considerado o mais antigo do Rio de Janeiro, reabre nesta quarta-feira (21), após permanecer quatro meses fechado por causa de um incêndio que atingiu a cozinha em junho. Localizado no Flamengo, o estabelecimento tem 152 anos de história e atravessou diferentes períodos da vida política, social e cultural brasileira.

A reabertura ocorre depois de uma reforma que incluiu a renovação da cozinha, reparos na parte elétrica, pintura e instalação de um banheiro adicional com acessibilidade. Nos dias anteriores à retomada das atividades, clientes procuraram o local para saber quando poderiam voltar a frequentá-lo.

A expectativa também envolve os funcionários e sócios, que acompanharam as obras e a preparação do espaço para receber novamente o público.

Incêndio provocou quatro meses de fechamento

Segundo Claudia Rocha disse à reportagem de O Globo, como uma das sócias do restaurante, o processo de recuperação levou quatro meses. Os dois primeiros foram dedicados à documentação exigida pelo seguro, enquanto os dois seguintes foram destinados aos trabalhos de reforma.

O incêndio aconteceu em junho e começou em uma fritadeira da cozinha. Três extintores foram utilizados na tentativa de conter as chamas, mas não foram suficientes para controlar o fogo. O Corpo de Bombeiros precisou ser acionado. Ninguém ficou ferido.

Claudia afirmou que uma campanha de apoio organizada por bares e restaurantes contribuiu para acelerar a recuperação do estabelecimento. A mobilização ocorreu após a repercussão do incêndio.

Restaurante mantém cardápio e pratos tradicionais

Apesar das mudanças na estrutura, a proposta do Lamas é preservar as características que marcaram sua trajetória. Segundo o sócio Milton Brito disse ao Globo, o cardápio e os ingredientes foram mantidos, com foco na qualidade dos produtos, na fartura das porções e no atendimento.

Entre os pratos tradicionais estão o filé à Oswaldo Aranha, servido com alho frito, o filé à francesa, preparado com cebola, presunto, ervilha e batata-palha, e o filé à parmegiana.

Essas opções custam R$ 180 e são servidas em porções que atendem bem a duas pessoas, segundo o restaurante. Também há pratos do dia individuais, com preços que variam de R$ 42, para a linguiça frita à mineira, a R$ 170, para o filé mignon à mineira.

Mudança para o Flamengo ocorreu em 1976

O endereço atual não foi a primeira sede do restaurante. O Lamas funcionava originalmente em um sobrado no Largo do Machado, onde hoje fica uma unidade da Parmê. Em 1976, quando completava 102 anos, mudou-se para a Rua Marquês de Abrantes, número 18, no Flamengo.

O estabelecimento ficou conhecido durante décadas como Velho Lamas, em referência ao endereço anterior. A mudança levou o restaurante para um local a cerca de 500 metros da antiga sede.

A permanência do negócio ao longo de mais de um século é atribuída pelos sócios à manutenção da tradição. A reabertura, após o incêndio, representa mais um capítulo da história do estabelecimento, que preserva o cardápio e a identidade associados à casa.

Políticos, escritores e artistas frequentaram o Lamas

Ao longo de seus 152 anos, o restaurante recebeu personalidades de diferentes áreas. Entre os nomes que passaram pelo local estão o jurista Rui Barbosa, os escritores Machado de Assis e Monteiro Lobato, o pintor Cândido Portinari e a cantora Carmen Miranda.

O presidente Getúlio Vargas também frequentava o estabelecimento e tinha o hábito de tomar chá com torradas. Outros presidentes, como Itamar Franco e Juscelino Kubitschek, também estiveram no restaurante.

As visitas de figuras públicas ajudaram a consolidar o Lamas como um dos endereços tradicionais da vida social carioca, frequentado tanto por personalidades conhecidas quanto por clientes habituais.

História do Flamengo também passa pelo restaurante

Uma das histórias mais conhecidas associadas ao Lamas envolve a fundação do Clube de Regatas do Flamengo, em 1895. Segundo o sócio Milton Brito, um grupo de remadores se reuniu no estabelecimento depois de um desentendimento com integrantes do Fluminense, na Rua Paissandu.

Durante o encontro, os participantes teriam começado a elaborar as ideias que levariam à criação do clube, inicialmente voltado para o remo. O episódio tornou o restaurante parte da memória ligada à origem do Flamengo.

A relação com o clube permanece presente na história do estabelecimento, que atravessou diferentes gerações de torcedores e frequentadores.

Funcionário acompanha a história há cinco décadas

A trajetória do restaurante também é marcada por funcionários que acompanharam diferentes fases do negócio. Luiz Carlos Pinto, de 77 anos, é o trabalhador mais antigo da casa e atua atualmente como assistente administrativo, função que ele próprio define como a de quem faz um pouco de tudo.

Ele começou a prestar serviços ao Lamas na década de 1970, quando trabalhava em um escritório de contabilidade que atendia o restaurante. Inicialmente, fazia trabalhos aos fins de semana, até ser contratado.

Com cerca de cinco décadas de ligação com o estabelecimento, Luiz acompanha agora a reabertura após o incêndio. A retomada das atividades marca o retorno de um endereço histórico do Flamengo, cuja trajetória reúne gastronomia, personagens públicos e episódios ligados à história do Rio de Janeiro.

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