Flávio Bolsonaro faz programa sobre Bolsa Família após desgaste de proposta econômica

Campanha pretende destacar promessas de reajuste e ampliação do benefício após declaração de Daniella Marques sobre regra de transição para quem conseguir emprego ou abrir negócio.

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A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma peça específica sobre o Bolsa Família para o horário eleitoral gratuito. A iniciativa busca conter a repercussão das declarações da coordenadora econômica da candidatura, Daniella Marques, sobre mudanças nas regras do programa e reforçar as promessas de ampliação e reajuste do benefício.

Integrantes da equipe temem que o episódio prejudique o candidato na reta final do segundo turno, como ocorreu com Jair Bolsonaro em 2022, quando uma proposta da equipe econômica sobre a correção do salário mínimo e das aposentadorias foi explorada eleitoralmente por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A avaliação entre aliados é que a declaração de Daniella abriu espaço para o adversário associar um eventual governo Flávio a possíveis cortes em benefícios sociais. A preocupação é que o assunto ganhe força nos últimos dias de campanha e obrigue o senador a concentrar esforços na resposta às críticas.

Declaração provocou reação da campanha

A controvérsia começou na segunda-feira, quando Daniella afirmou, em entrevista à rádio CBN Salvador, que um eventual governo Flávio adotaria uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que conseguissem emprego com carteira assinada ou abrissem um negócio.

Segundo a coordenadora, as famílias poderiam retornar ao programa caso a nova fonte de renda não se sustentasse. Aliados de Lula exploraram a declaração nas redes sociais e associaram a proposta à possibilidade de encerramento do benefício após esse período.

Diante da repercussão, Flávio publicou um vídeo para negar que pretenda estabelecer um prazo máximo de permanência no programa.

“O futuro ex-presidente, o Lula, está espalhando uma fake news daquela cabeluda e eu peço que você compartilhe esse vídeo urgentemente para a gente combater essa mentira dele. E qual que é a mentira que ele está contando? Ele está dizendo por aí que eu acabaria com o Bolsa Família em até dois anos. É óbvio que isso não vai acontecer, é óbvio que isso é mentira”, afirmou o senador.

Flávio e Daniella tentam esclarecer proposta

Na gravação, Flávio explicou que os beneficiários poderiam continuar recebendo o auxílio por até dois anos após conseguir emprego ou abrir uma empresa. Segundo ele, haveria retorno automático ao programa caso a nova fonte de renda deixasse de existir.

Daniella também publicou um vídeo para esclarecer que o prazo se destinaria à transição das famílias para uma nova condição de renda, e não ao desligamento de todos os participantes do Bolsa Família.

A necessidade de o próprio candidato se manifestar provocou desconforto entre integrantes da campanha. Aliados avaliam que a coordenadora não apresentou a proposta com clareza e abriu uma frente de desgaste em um momento decisivo da disputa.

Também há críticas à exposição de Daniella em entrevistas sobre medidas de um eventual governo e à falta de alinhamento prévio de algumas declarações com o núcleo político da candidatura.

Campanha teme repetir episódio de 2022

A situação lembrou aos integrantes da equipe a controvérsia envolvendo Paulo Guedes durante a campanha de Jair Bolsonaro em 2022. Em 19 de outubro daquele ano, veio a público uma proposta discutida pela equipe econômica para alterar a metodologia de correção do salário mínimo e das aposentadorias, com a possibilidade de desvincular os reajustes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

A campanha de Lula explorou a discussão e associou a medida ao risco de perda do poder de compra de trabalhadores e aposentados. Embora a proposta não previsse necessariamente o fim da correção pela inflação, mas uma mudança na forma de calcular os reajustes, Bolsonaro precisou gravar um vídeo para negar que pretendesse retirar a reposição inflacionária do salário mínimo.

Agora, a equipe de Flávio tenta evitar uma dinâmica semelhante e pretende ampliar o espaço dedicado aos benefícios sociais na propaganda eleitoral.

Propaganda deve destacar reajuste e ampliação

A campanha já vinha utilizando o horário eleitoral para prometer a manutenção do Bolsa Família e de outros benefícios sociais. A nova peça deverá reforçar o compromisso de reajustar os valores pagos às famílias, ampliar o alcance do programa e assegurar uma transição para quem conseguir emprego ou decidir empreender.

A iniciativa também busca afastar a associação entre a proposta de Daniella e o ajuste fiscal defendido pelo candidato. Flávio se comprometeu a reduzir as despesas públicas em cerca de R$ 200 bilhões, mas ainda enfrenta questionamentos sobre quais áreas seriam afetadas.

A campanha sustenta que os cortes se concentrariam nos gastos da máquina pública, sem comprometer os programas sociais.

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