Após mais de dois séculos ausentes do céu do Rio de Janeiro, as araras-canindés voltaram a voar livres na Mata Atlântica. No último dia 7 de janeiro, pesquisadores do Projeto Refauna reintroduziram três aves da espécie no Parque Nacional da Tijuca, na Zona Norte da capital fluminense.
Batizadas de Fernanda, Fátima e Sueli, as araras passaram por um processo de aclimatação e adaptação que durou cerca de sete meses antes da soltura. A iniciativa integra um projeto de restauração ecológica que busca devolver à floresta espécies nativas extintas localmente e recuperar funções ambientais perdidas ao longo do tempo.
Veja abaixo o momento em que a primeira arara sai do viveiro.
A Agenda do Poder esteve no local a tempo de registrar as quatro aves juntas: Fátima, Suely, Fernanda e Selton.
As aves chegaram ao parque em junho de 2025, vindas do Parque Três Pescadores, em Aparecida (SP), onde funciona o Refúgio das Aves — centro de acolhimento e reabilitação de animais silvestres. Desde então, permaneceram em um recinto instalado na mata para reconhecer o ambiente que abrigou seus ancestrais.
Durante esse período, a equipe do Refauna conduziu um treinamento gradual para fortalecimento da musculatura e aprimoramento do voo. As araras também passaram por uma transição alimentar, com a introdução de frutos nativos da floresta, além de estímulos para evitar a presença humana.

“A reintrodução das araras no Rio começou a ser planejada em 2018, com grande atenção à questão sanitária, que é um desafio para essa espécie”, explica Lara Renzetti, bióloga do Refauna e coordenadora de reintrodução das araras.
O período de aclimatação exigiu dedicação intensa da equipe. Agora, desejamos que elas se adaptem bem à vida livre e que moradores e visitantes tenham a oportunidade de vê-las colorindo o céu da cidade”, afirma.
Segundo Lara, o sucesso do projeto também depende da população. A bióloga também pede que cariocas que encontrarem as aves façam fotos e marquem o perfil do projeto nas redes sociais. “A partir de agora, a reintrodução precisa da colaboração dos cariocas, valorizando e protegendo esses animais em liberdade”, diz.
A soltura contou com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de outras instituições parceiras. Para Viviane Lasmar, analista ambiental do ICMBio e chefe do Parque Nacional da Tijuca, o retorno das araras representa um marco histórico.
Esse momento não era esperado há sete meses, mas há mais de 200 anos. As araras-canindés do parque agora são as araras do Rio, dos cariocas e de todos os brasileiros
Viviane Lasmar, analista ambiental do ICMBio e chefe do Parque Nacional da Tijuca

Arara Selton aguarda para ganhar liberdade
Além das três aves já soltas, uma quarta arara, chamada Selton, também passou pelo processo de aclimatação, mas ainda não ganhou liberdade. De acordo com o Refauna, o animal atravessa um ciclo de troca de penas e seguirá em observação até a conclusão dessa fase, por questões de bem-estar e saúde.
O projeto prevê a ampliação gradual da reintrodução. Selton deve receber, ainda em 2026, a companhia de dois ou três casais da mesma espécie, que atualmente passam por exames sanitários e trâmites documentais. A expectativa é que essa nova etapa permita a reprodução das araras no ambiente natural.
A meta do Refauna é reintroduzir cerca de 50 araras-canindés ao longo de cinco anos e consolidar o retorno da espécie aos céus do Rio de Janeiro. O objetivo é contribuir para a restauração ecológica da Mata Atlântica, bioma que abriga mais de 145 milhões de brasileiros.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes






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