Mesmo longe do Brasil e sem previsão de retorno, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) continua movimentando a estrutura de seu gabinete no Congresso Nacional. Nesta quarta-feira (4), uma semana depois de chegar aos Estados Unidos, o parlamentar oficializou a nomeação de dois assessores para sua equipe no Senado. Um dos contratados trabalhou anteriormente para seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que perdeu o mandato de deputado federal por excesso de faltas.
As nomeações ocorreram enquanto Flávio permanece em Miami, para onde viajou em 27 de outubro, dois dias depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. A saída do país aconteceu após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o senador entregasse seus passaportes em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
Ex-assessor de Eduardo Bolsonaro está entre os nomeados
Um dos novos integrantes do gabinete é Fabiano Augusto de Souza Araújo, que trabalhou na equipe de Eduardo Bolsonaro na Câmara dos Deputados. Ele foi exonerado em dezembro, após a perda do mandato do então deputado, e agora ocupará o cargo de auxiliar parlamentar pleno no Senado, com remuneração de R$ 7.642,84.
A segunda nomeação é de Maria Carolina Albuquerque e Silva, que já havia trabalhado com Flávio Bolsonaro. Ela deixou o gabinete em junho para participar da campanha presidencial do senador e agora retorna como auxiliar parlamentar sênior, com salário de R$ 9.203,20 e jornada de 40 horas semanais.
Somadas, as remunerações previstas para os dois cargos chegam a R$ 16.846,04 mensais. Procurado para comentar as contratações e a permanência do senador nos Estados Unidos, o gabinete de Flávio Bolsonaro não se manifestou.
Senado mantém mandato e analisa questionamentos sobre ausência
Apesar da viagem, a Secretaria-Geral da Mesa do Senado informou que o mandato de Flávio Bolsonaro permanece em vigor. Segundo o entendimento administrativo da Casa, não existe decisão judicial ou procedimento de perda de mandato que impeça o parlamentar de continuar exercendo suas funções legislativas.
Na terça-feira (3), Flávio participou remotamente da votação da PEC da Segurança Pública, aprovada em dois turnos pelo Senado. Ele votou favoravelmente à proposta, mas se posicionou contra a retirada das emendas relacionadas à redução da maioridade penal.
A participação provocou questionamentos do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que apresentou duas questões de ordem na quarta-feira. O parlamentar pediu esclarecimentos sobre a ausência de comunicação oficial da viagem ao exterior e solicitou a anulação do voto de Flávio.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que os pedidos serão analisados pela Mesa Diretora. Ele destacou, entretanto, que a votação ocorreu em sessão semipresencial, modalidade que permite a participação dos parlamentares a distância.
Permanência nos EUA também é alvo de ação judicial
A ausência do senador também motivou uma ação popular apresentada à Justiça Federal do Rio de Janeiro. Os autores pedem a suspensão de seu salário, de R$ 46.366,19, além dos auxílios e das verbas destinadas ao gabinete, sob o argumento de que a permanência no exterior precisa ser examinada à luz das obrigações parlamentares.
O processo ainda depende de análise judicial e não representa, por si só, a suspensão dos pagamentos ou a comprovação de abandono do mandato. Flávio continua oficialmente no exercício do cargo, cujo término está previsto para janeiro de 2027.







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