Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que levará para o túmulo os detalhes de como deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos, depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista de 75 minutos ao jornal americano The New York Times, concedida na quarta-feira (4), o senador disse que organizou a viagem sozinho, mas não revelou como conseguiu percorrer cerca de 8 mil quilômetros até Miami.
“Fui eu sozinho”, disse Flávio ao jornal, ao negar ter recebido auxílio de autoridades ou governos estrangeiros. “Não tive ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo.”
Questionado sobre os detalhes do deslocamento, que incluiu passagens pelo Equador e pela Argentina antes da chegada aos Estados Unidos, o senador afirmou: “Como cheguei até aqui, isso vou levar comigo para o túmulo”.
Flávio diz que decidiu fugir após derrota eleitoral
Segundo o relato apresentado ao jornal, a decisão de deixar o Brasil foi tomada espontaneamente, na manhã seguinte à derrota nas eleições presidenciais. Flávio contou que estava saindo do condomínio onde seu pai, Jair Bolsonaro (PL), cumpria prisão domiciliar quando soube que tinha 24 horas para entregar os passaportes, por determinação das autoridades brasileiras.
Ele afirmou que conversou com o pai antes de partir. Segundo Flávio, Jair Bolsonaro estava com lágrimas nos olhos e disse: “Você já sabe onde eles querem chegar com isso, não é?”. O senador respondeu: “Pai, eu já sei” e “E estou preparado, sei o que tenho que fazer.” Em seguida, virou as costas e foi embora. De acordo com ele, os dois não conversaram sobre um plano de fuga.
Horas depois, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que entregaria os documentos e que não pretendia deixar o país. Cerca de 42 horas depois, reapareceu em Miami.
Senador nega acusações e prevê prisão no Brasil
Na entrevista, Flávio afirmou que decidiu sair do país porque considerava praticamente certa uma condenação judicial caso permanecesse no Brasil. “Já sei que o resultado final será minha prisão”, declarou.
O senador enfrenta investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, mas não foi acusado formalmente de nenhum crime. Ele também afirmou que pretende contestar judicialmente a vitória de Lula, embora reconheça as poucas chances de sucesso.
Flávio voltou a questionar o resultado eleitoral sem apresentar provas de irregularidades. “Tenho minhas suspeitas”, disse, ao ser perguntado sobre as alegações de fraude. “Ninguém pode afirmar com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado.”
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou as acusações, enquanto observadores internacionais atestaram a integridade do processo. Lula venceu a disputa por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
Família poderá permanecer nos Estados Unidos
Flávio, a mulher e as duas filhas receberam autorização para permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano, por meio de um status migratório concedido por razões humanitárias. O senador disse que ainda não decidiu onde a família vai se estabelecer.
De Miami, ele pretende continuar atuando na política brasileira, apoiar aliados e defender pautas como a redução da maioridade penal e a anistia para o pai e os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
Apesar de afirmar que espera que a permanência nos Estados Unidos seja temporária, Flávio não descartou disputar novamente a Presidência. “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente.”







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