Anac bloqueia avião de Ciro Nogueira após decisão de André Mendonça no STF

Senador do PP do Piauí teve aeronave executiva avaliada em R$ 4 milhões sequestrada por ordem judicial em meio às investigações da Operação Compliance Zero

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) bloqueou uma aeronave pertencente ao senador Ciro Nogueira por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida envolve um avião executivo adquirido pelo parlamentar em 2023 pelo valor de R$ 4 milhões.

O bloqueio atinge um bimotor da fabricante Beech Aircraft, modelo B200, utilizado por empresas sediadas na Paraíba e no Rio Grande do Norte. A ordem de sequestro e indisponibilidade da aeronave foi registrada oficialmente nos documentos do avião.

A decisão encaminhada à Anac foi enviada em 8 de maio, um dia após o senador ser alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito da quinta fase da Operação Compliance Zero.

Investigação aponta supostas vantagens indevidas

De acordo com a Polícia Federal, Ciro Nogueira teria atuado em favor do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em troca de benefícios financeiros considerados irregulares pelos investigadores.

Entre os pontos citados pela PF está uma emenda apresentada pelo senador no Senado Federal para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Segundo os investigadores, o texto da proposta teria sido elaborado dentro do próprio Banco Master.

A investigação também aponta que o parlamentar teria recebido pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados.

Defesa nega irregularidades e fala em perseguição política

Quando a operação foi deflagrada, a defesa de Ciro Nogueira afirmou repudiar qualquer suspeita de ilegalidade envolvendo a atuação parlamentar do senador.

Os advogados declararam ainda que o político estaria colaborando com a Justiça para esclarecer os fatos investigados e comprovar que não participou de atividades ilícitas.

Dias depois da operação, o senador utilizou as redes sociais para classificar as investigações relacionadas ao Banco Master como um “roteiro absurdo de ficção”. Segundo ele, há uma perseguição política em curso e nenhuma irregularidade foi cometida.

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