A empresária Roberta Luchsinger negou à Polícia Federal ter repassado ao empresário Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, valores recebidos do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O depoimento foi prestado nesta quarta-feira no inquérito que investiga supostas fraudes em descontos ilegais de aposentadorias e pensões do INSS.
Segundo a defesa de Roberta, os pagamentos feitos por Antunes, que somaram R$ 1,5 milhão em cinco parcelas de R$ 300 mil, ocorreram em razão de serviços de consultoria ligados à regulamentação do mercado de canabidiol no Brasil, informa O Globo. Os advogados afirmam que ela desconhecia qualquer relação do empresário com o esquema investigado pela PF.
Consultoria para mercado de cannabis medicinal
De acordo com a investigação, Roberta teria apresentado o Careca do INSS a Lulinha durante discussões sobre oportunidades no setor de cannabis medicinal. Antônio Camilo Antunes era proprietário da empresa World Cannabis, especializada em medicamentos à base de maconha medicinal.
Em depoimento, a empresária afirmou que o interesse de Lulinha pelo tema surgiu porque familiares utilizavam medicamentos com canabidiol. Segundo ela, esse contexto motivou o convite para que o filho do presidente acompanhasse Antunes em uma viagem de negócios à Europa.
A defesa destacou ainda que Roberta não participou da viagem a Portugal e que o objetivo da visita era apenas conhecer instalações e avaliar possíveis investimentos no setor farmacêutico ligado ao canabidiol.
PF apura tentativa de aproximação com Ministério da Saúde
A quebra de sigilo fiscal do lobista revelou os pagamentos à empresária, que teria atuado para viabilizar um projeto de fornecimento de medicamentos à base de cannabis ao Sistema Único de Saúde (SUS). O contrato, no entanto, nunca foi concretizado.
As investigações também analisam um áudio de WhatsApp em que Roberta comenta com Antunes sobre a possibilidade de obter dispensa de licitação, usando como justificativa um cenário emergencial previsto na nova Lei de Licitações.
A Polícia Federal tenta esclarecer se Lulinha e a empresária atuaram para aproximar o lobista do Ministério da Saúde. Ambos negam qualquer irregularidade. Em nota, os advogados de Roberta afirmaram que o depoimento desmonta a linha investigativa inicial e defenderam o arquivamento do caso.
Defesa de Lulinha também nega irregularidades
Os advogados de Fabio Luis Lula da Silva já haviam enviado esclarecimentos ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a viagem a Portugal custeada pelo Careca do INSS. Segundo a defesa, o deslocamento teve caráter exclusivamente empresarial e voltado ao setor de cannabis medicinal.
Ainda conforme os representantes de Lulinha, nenhum negócio foi fechado e não houve qualquer repasse financeiro ao filho do presidente da República.






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